Mark Cuban, o bilionário e investidor conhecido por suas apostas assertivas e comentários diretos, lançou uma provocação ao mercado de inteligência artificial: muitos dos data centers que estão sendo construídos a um custo de centenas de bilhões de dólares podem, no futuro, ser convertidos em "quadras de pickleball". A declaração, feita durante um episódio do podcast "All-In", encapsula uma tese cética sobre a sustentabilidade da atual corrida por infraestrutura.
A análise de Cuban não é um desprezo pela IA, mas uma aposta na própria natureza do avanço tecnológico. Ele argumenta que os "hyperscalers" como Meta e Alphabet estão corretos em antecipar um aumento exponencial no uso de IA, mas podem estar subestimando a velocidade dos ganhos de eficiência. Para Cuban, é inevitável que "avanços tecnológicos" tornem os modelos de IA mais baratos e menos intensivos em energia, tornando parte da capacidade computacional de hoje redundante.
A aposta na eficiência
A tese de Cuban encontra um paralelo histórico no boom das redes de fibra ótica. No final dos anos 90, houve uma corrida frenética para instalar cabos, baseada em projeções de demanda que levaram a um excesso de capacidade. Eventualmente, a tecnologia de transmissão de dados acelerou a ponto de o problema de largura de banda ser resolvido por software e otimização, não apenas por mais cabos. O investidor questiona por que o mesmo não aconteceria com a IA e os data centers.
O ponto central é que planejar a infraestrutura com base nos modelos e no consumo de energia atuais é "planejar para a perfeição", um cenário que raramente se concretiza na tecnologia. Cuban acredita que veremos os mesmos saltos de performance por custo no lado da IA que vimos em outras áreas da computação. Se ele estiver certo, o resultado será uma grande quantidade de infraestrutura ociosa, paga a peso de ouro por um capital que apostou na continuidade do status quo tecnológico.
Uma bolha de capital, não de mercado
Cuban faz uma distinção crucial: a situação atual não é uma repetição da bolha ponto-com. Naquela época, a especulação era generalizada, com empresas de "nenhuma receita, nenhum tráfego" abrindo capital e o cidadão comum investindo em ações de tecnologia. "Você não vê nada disso hoje", afirmou. O risco, segundo ele, é mais concentrado e sofisticado, mas não menos perigoso para quem está exposto.
O perigo, em sua visão, "poderia destruir muitos VCs, muitos fundos e muito PE (private equity)", pois são eles que estão "indo com tudo" na tese de que a demanda por poder computacional bruto crescerá linearmente. Cuban não está sozinho nesta visão. Nomes como Michael Burry, famoso por "A Grande Aposta", e Jeremy Grantham, da GMO, também alertaram para o excesso de investimento em uma infraestrutura que pode se tornar obsoleta rapidamente.
A provocação sobre as quadras de pickleball — esporte no qual Cuban é dono de um time profissional — serve como um lembrete vívido. A questão que fica para o mercado não é se a IA é transformadora, mas se o capital alocado para viabilizá-la está precificando corretamente o ritmo implacável da própria inovação que busca financiar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





