Mato Grosso consolidou sua posição como maior produtor de carne bovina do Brasil, com exportações que cresceram impressionantes 2.242% desde 2001. O volume saltou de 24,1 mil toneladas para 566,5 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 3,4 bilhões neste ano. Esse avanço notável se deve em grande parte aos 25 anos de certificação como Estado livre de febre aftosa, concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que abriu portas para mercados internacionais exigentes.

A certificação sanitária não apenas facilitou o acesso a novos mercados, mas também fortaleceu a confiança dos compradores internacionais na qualidade e segurança da carne produzida no estado. A China emergiu como o principal destino, respondendo por 44,5% do volume exportado por Mato Grosso no período analisado, com 252,3 mil toneladas. Em 2001, a China sequer figurava entre os compradores, quando o Egito liderava as importações com 9,7 mil toneladas.

O Impacto da Sanidade na Ascensão da Pecuária Mato-grossense

O diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Oliveira, atribui esse crescimento a uma combinação estratégica de avanços sanitários e investimentos contínuos dos pecuaristas em produtividade. A pecuária mato-grossense passou por uma profunda transformação, com produtores investindo em genética, tecnologia e manejo. Esse esforço resultou não apenas no aumento da produtividade por hectare, mas também na melhoria da qualidade dos animais para abate, atendendo às demandas de mercados que valorizam cortes específicos e impõem rigorosos padrões sanitários.

A manutenção do status sanitário é um diferencial competitivo crucial, permitindo que o estado negocie em condições mais favoráveis e acesse destinos que oferecem melhor remuneração. A transição de uma pecuária predominantemente extensiva, no início dos anos 2000, para sistemas mais intensivos, com recuperação de pastagens e suplementação alimentar, demonstra a adaptação e a busca por eficiência que caracterizam o setor no estado.

Do Extensivismo à Tecnologia: A Evolução do Rebanho

A evolução dos sistemas de criação em Mato Grosso reflete uma mudança de paradigma na pecuária de corte. Há duas décadas, a criação extensiva em grandes pastagens era a norma, com menor aplicação de tecnologias para otimizar a produção. Hoje, o cenário é outro. O melhoramento genético de rebanhos, a recuperação e o manejo aprimorado de pastagens, e a adoção de estratégias de suplementação alimentar têm elevado significativamente a produtividade. Esses investimentos tecnológicos permitem não só aumentar a quantidade de carne produzida por área, mas também aprimorar a qualidade final do produto, tornando-o mais competitivo no cenário internacional.

Essa modernização do setor pecuário é vital para atender às exigências de mercados globais cada vez mais conscientes e rigorosos em relação à origem e aos métodos de produção dos alimentos. A capacidade de adaptação e a adoção de novas tecnologias posicionam Mato Grosso como um player robusto e confiável na cadeia de suprimentos de carne bovina.

Mercados Internacionais e a Diversificação de Destinos

A certificação livre de aftosa, mantida por 25 anos, tem sido a espinha dorsal da expansão exportadora de Mato Grosso. Ela não apenas garante a entrada em mercados que impõem barreiras sanitárias elevadas, mas também abre oportunidades para negociações com maior valor agregado. A diversificação de destinos, que saltou de 29 países em 2001 para mais de 90 atualmente, demonstra a amplitude do alcance do agronegócio mato-grossense.

A China, com sua demanda crescente, tornou-se um parceiro estratégico indispensável, mas a presença em múltiplos mercados reduz a dependência de um único comprador e aumenta a resiliência do setor a flutuações econômicas e políticas globais. A habilidade de atender a diferentes exigências de mercados, sejam elas sanitárias, de qualidade ou de certificações específicas, é um testemunho da maturidade e do profissionalismo do setor pecuário do estado.

O Futuro da Carne Mato-grossense: Sustentabilidade e Inovação

O futuro da pecuária de corte em Mato Grosso parece promissor, mas os desafios residem em manter o rigor sanitário e avançar em práticas de sustentabilidade. A pressão por uma produção com menor impacto ambiental e social é crescente, e os produtores que investirem em rastreabilidade, bem-estar animal e tecnologias de produção mais limpas estarão mais bem posicionados.

As perguntas que ficam são: como Mato Grosso continuará a inovar para manter sua liderança sanitária e produtiva em um mercado global cada vez mais competitivo? Que novas tecnologias e práticas de manejo serão incorporadas para atender às demandas futuras por carne bovina de alta qualidade e produzida de forma sustentável? A resposta a essas questões definirá o próximo capítulo da história de sucesso da pecuária mato-grossense.

A trajetória de 25 anos de Mato Grosso como Estado livre de febre aftosa é um estudo de caso sobre como a sanidade agropecuária, aliada a investimentos em tecnologia e produtividade, pode transformar um setor e impulsionar a economia regional e nacional, consolidando o Brasil como potência agroexportadora.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times