O receio de incidentes de segurança cibernética está atuando como um freio significativo para a expansão digital das pequenas e médias empresas (PMEs) no Brasil. Segundo o Mastercard 2026 SME Cybersecurity Outlook, estudo que consultou 2.400 tomadores de decisão em 12 mercados da América Latina e Caribe, 33% das PMEs brasileiras afirmam que o medo de ameaças virtuais já desacelerou ou interrompeu a adoção de ferramentas digitais. Embora a totalidade das empresas consultadas no país já aceite pagamentos digitais, 57% identificam as ameaças virtuais como uma das principais barreiras para ampliar seu uso, evidenciando a dicotomia entre a adoção da tecnologia e a confiança em sua segurança.
Ameaças virtuais como entrave ao crescimento
Os riscos cibernéticos impactam diretamente as decisões de investimento e estratégia das PMEs brasileiras. Nos últimos 12 meses, 38% dos entrevistados adiaram a adoção de novos meios de pagamento devido ao receio de fraudes. Adicionalmente, 28% postergaram planos de expansão geográfica e 27% adiaram iniciativas de marketing digital e parcerias. Essa falta de confiança na segurança digital pode comprometer a competitividade de negócios que dependem de canais eletrônicos para vender, atender clientes e alcançar novos mercados, criando um ciclo vicioso onde a insegurança impede o crescimento que, por sua vez, poderia financiar melhores medidas de segurança.
Falta de preparo e percepção de valor
Apesar da ampla adoção de pagamentos digitais, uma parcela considerável das empresas ainda carece de um plano formal de resposta ou recuperação em cibersegurança. No Brasil, apenas 44% das PMEs consultadas possuem tal plano, enquanto 30% não contam com nenhum. Paradoxalmente, a percepção sobre a importância da proteção de dados é alta: 91% dos empresários veem a cibersegurança como uma vantagem competitiva e 98% concordam que consumidores preferem empresas que protegem suas informações. Essa discrepância entre a percepção de valor e a capacidade prática de prevenção e resposta a incidentes é um desafio central.
Segurança como motor de expansão
O levantamento também destaca oportunidades de crescimento ligadas ao fortalecimento da proteção digital. Oitenta por cento das PMEs brasileiras estimam que poderiam alcançar crescimento de dois dígitos com uma infraestrutura de segurança mais robusta, sendo que 30% projetam expansão superior a 50%. Com maior confiança no ambiente digital, os empresários priorizariam investimentos em marketing digital, análise de dados e inteligência artificial, ferramentas essenciais para ampliar a capacidade de competir e conquistar clientes. A segurança cibernética, portanto, transcende a mera redução de perdas financeiras, posicionando-se como um habilitador de oportunidades comerciais.
Implicações regionais e desafios futuros
O cenário regional reflete o desafio brasileiro: 97% das PMEs na América Latina e Caribe aceitam pagamentos digitais, mas 51% apontam o medo de fraudes como barreira. Na região, 40% das empresas tiveram seu uso de ferramentas digitais reduzido ou interrompido por preocupações com cibersegurança. Apenas 18% das PMEs regionais se sentem muito confiantes em sua capacidade de proteção. Para Ana Lucía Magliano, vice-presidente executiva de Serviços da Mastercard para a América Latina e Caribe, a segurança cibernética é uma questão de negócio que pode impedir a busca por novas oportunidades. A Mastercard busca mitigar esse cenário com o Mastercard Trust Center e outras soluções de segurança.
O estudo, realizado no segundo trimestre de 2026, aponta que a capacitação em cibersegurança e a implementação de planos de resposta robustos são cruciais para que as PMEs brasileiras superem suas apreensões e aproveitem plenamente o potencial da digitalização, impulsionando não apenas seus negócios, mas também a economia como um todo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





