Meg McCann assumiu a liderança do Seattle Aquarium em janeiro, trazendo um histórico incomum para uma instituição que atrai 1 milhão de visitantes anualmente e apoia pesquisas críticas em conservação marinha. Sua trajetória inclui atuações como advogada de litígio, liderança em organizações de apoio a vítimas de tráfico sexual e cargos de gestão no Departamento de Licenciamento e no Gabinete do Procurador-Geral do Estado de Washington. Contudo, um amor profundo pelo oceano, cultivado desde a infância em Rhode Island, e uma forte inclinação para promover mudanças sistêmicas a impulsionaram para a atual posição.
McCann expressa que, embora suas experiências anteriores tenham focado em resultados positivos para indivíduos, a saúde do planeta é o objetivo final para todos. Com o aquário servindo a um público global e inserido em uma cidade que valoriza o meio ambiente e a inovação, ela vislumbra a instituição como um polo de liderança em conservação oceânica.
A virada para a sustentabilidade
A percepção de McCann sobre a urgência da sustentabilidade remonta à sua juventude em Rhode Island. Um projeto escolar sobre o estado da baía local a confrontou com a realidade da poluição marinha, coletando lixo plástico da praia e percebendo sua longevidade. Paralelamente, ela testemunhou o fechamento de pescas de mariscos na região, um reflexo direto da incapacidade do ecossistema de sustentar a vida marinha. Esse momento estabeleceu uma conexão clara entre os hábitos individuais e os impactos ambientais de longo alcance, moldando sua visão sobre a necessidade de ação.
Sua esperança para o futuro do planeta se manifesta em duas frentes principais. Primeiramente, as crianças que visitam o aquário, com sua alegria, empatia e criatividade, representam o potencial para as próximas grandes inovações e soluções ambientais. Em segundo lugar, ela destaca os cientistas e parceiros do aquário, que estão engajados em trabalhos de recuperação de espécies no Salish Sea, como a identificação de áreas propícias ao crescimento de kelp e a participação na reabilitação do abalone-pinto. Esses esforços, apoiados por tecnologia de ponta, demonstram que a regeneração oceânica é possível.
Inovações e desafios na conservação
Se houvesse a possibilidade de inventar uma solução de sustentabilidade da noite para o dia, McCann aponta para a remoção de microplásticos da água. A proliferação e a degradação do plástico no oceano geram partículas minúsculas, mas pervasivas, que afetam a vida marinha em todos os níveis e alteram a química da água. Essa poluição invisível representa um desafio ecológico significativo, com repercussões que se estendem à cadeia alimentar e à saúde humana.
No âmbito pessoal e institucional, McCann tem focado em compreender os impactos a jusante de cada decisão. Uma prioridade é reduzir a dependência de combustíveis fósseis, buscando eletrificar sistemas e encontrar fontes de energia alternativas para as operações e futuras expansões do aquário, como a renovação de píeres. Essa abordagem visa não apenas a eficiência energética, mas também a diminuição da pegada de carbono da instituição.
Engajamento e métricas de impacto
Uma estratégia subestimada, segundo McCann, é a construção de coalizões amplas. O aquário estabeleceu uma meta de desvio de 90% de resíduos de aterros até 2030, um objetivo ambicioso que requer o envolvimento de toda a equipe e dos mais de um milhão de visitantes anuais. Além disso, o aquário busca ativamente engajar visitantes com diferentes perspectivas de conservação, promovendo um senso de agência e pertencimento, mesmo em um público global com valores diversos.
No que diz respeito a métricas de sustentabilidade, o consumo de energia é um foco obsessivo, pois sua redução não só diminui os custos operacionais, mas também libera recursos para áreas como saúde animal e programas educacionais. Igualmente importante é o engajamento da equipe com o plano de sustentabilidade, medido por meio de pesquisas de participação e compreensão dos objetivos, garantindo que todos os setores da organização contribuam para as metas estabelecidas.
O futuro do oceano e o papel do aquário
A vastidão do desafio das mudanças climáticas é mitigada pela observação direta da vida marinha. Câmeras e sonares instalados no Píer 59 capturam a passagem de baleias jubarte, tubarões-de-seisbarriguas e até polvos-vermelhos, lembrando constantemente o que está em jogo. McCann enfatiza que as intervenções em conservação funcionam, mas necessitam de maior escala e energia. A vida marinha observada diariamente serve como inspiração e reforça a crença de que um futuro sustentável para o oceano é alcançável, exigindo curiosidade e tenacidade.
A liderança de Meg McCann no Seattle Aquarium exemplifica como uma visão estratégica, aliada a um profundo compromisso com a sustentabilidade, pode transformar uma instituição em um agente de mudança global. Sua jornada, de profissional do direito à guardiã dos oceanos, ressalta a importância de conectar ações individuais a impactos coletivos na preservação ambiental.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · GeekWire





