Nova York transformou as apostas esportivas móveis em uma mina de ouro, gerando cerca de US$ 328 milhões em receitas fiscais apenas no primeiro trimestre de 2026. O estado responde por um terço de toda a arrecadação tributária de apostas esportivas nos Estados Unidos, consolidando o setor como a segunda maior fonte de receita de jogos de azar. Contudo, um novo concorrente emerge no horizonte: os mercados de previsão, como Polymarket e Kalshi.
Essas plataformas oferecem aos apostadores uma forma diferente de interagir com eventos esportivos, negociando contratos que se assemelham a derivativos financeiros. A principal diferença reside na tributação: enquanto as apostas esportivas tradicionais em Nova York enfrentam uma alíquota de 51%, os mercados de previsão operam sob uma regulamentação federal mais branda, com impostos federais menores. Essa disparidade tributária levanta preocupações para os cofres públicos do estado, que podem ver sua receita de jogos de azar ser corroída.
O Mecanismo de Desvio de Receita
A análise do Tax Policy Center sugere que, mesmo que apenas 1% da atividade de apostas esportivas em Nova York migre para os mercados de previsão, o estado poderia perder cerca de US$ 13 milhões em arrecadação. Embora a sobreposição de clientes entre as plataformas de apostas esportivas e os mercados de previsão seja pequena — cerca de 1% entre os clientes da DraftKings, segundo a empresa —, o volume financeiro envolvido é substancial. Maria Doulis, vice-comptroller de orçamento e análise de políticas do estado de Nova York, aponta que, embora a atividade possa parecer similar para o usuário, a diferença de tributação é crucial para as finanças estaduais.
Os mercados de previsão argumentam que se enquadram na regulamentação federal de bolsas de derivativos, escapando assim das leis estaduais de jogos de azar. Essa diferenciação regulatória é o cerne da disputa. O governo de Nova York, liderado pela governadora Kathy Hochul, já demonstrou sua posição ao processar a Polymarket, classificando tais operações como um "mau ator corporativo" que explora consumidores e ameaça o financiamento de serviços públicos essenciais, como escolas.
O Crescimento Impulsionado pelo Esporte
O volume de negócios em plataformas como a Kalshi disparou, crescendo quase treze vezes no ano seguinte à adição de contratos esportivos. A Polymarket também experimentou um crescimento vertiginoso após incorporar eventos esportivos em sua oferta. Esse boom sugere que os mercados de previsão não estão apenas coexistindo com as apostas esportivas, mas ativamente atraindo e engajando um público que antes se dedicava a outras formas de jogo.
A Kalshi, por sua vez, contesta a ideia de que seu crescimento esteja diretamente subtraindo receita dos tradicionais sportbooks. A empresa afirma que pode operar sob regulamentação federal e, ao mesmo tempo, gerar receita fiscal vital para os estados. No entanto, a percepção em Nova York é de que a competição é direta e que a estrutura tributária atual favorece os mercados de previsão em detrimento da arrecadação estadual.
Implicações para o Estado e Apostadores
Além da potencial perda de receita tributária, Nova York enfrenta custos crescentes associados à atividade de jogos de azar. As chamadas para a linha de apoio estadual para jogadores com problemas aumentaram 8,5% desde 2020, e o estado já dobrou seu financiamento para serviços de tratamento de vício em jogos, de US$ 6 milhões para US$ 12 milhões. A volatilidade inerente ao mercado de apostas, onde resultados inesperados em grandes eventos podem levar a perdas significativas para as operadoras, adiciona outra camada de incerteza fiscal.
Seja pela migração de apostadores para mercados de previsão ou pela volatilidade intrínseca do setor, a receita de jogos de azar em Nova York pode se tornar menos previsível. As projeções fiscais do estado, que geralmente se baseiam em premissas conservadoras, podem ser impactadas se esses novos mercados de previsão ganharem tração significativa e desviarem uma parcela considerável da atividade de apostas esportivas.
Perguntas em Aberto no Jogo Tributário
A principal questão que paira é se Nova York conseguirá adaptar sua estrutura tributária para abranger os mercados de previsão de forma equitativa, ou se essas plataformas continuarão a operar em uma zona regulatória cinzenta que beneficia os operadores, mas prejudica a arrecadação estadual. A batalha legal entre o estado e a Polymarket pode definir o futuro da tributação de jogos de azar e derivativos esportivos na região.
Outro ponto de atenção é o impacto a longo prazo no comportamento do apostador. A familiaridade com mercados de previsão pode criar um novo nicho de mercado ou, alternativamente, levar apostadores a buscar formas mais sofisticadas de alavancagem financeira. A resposta a essas dinâmicas determinará a capacidade de Nova York de manter sua robusta receita de jogos de azar.
O cenário em Nova York reflete um desafio crescente para jurisdições que buscam capitalizar a popularidade das apostas esportivas, enquanto novas formas de jogo e investimento emergem, testando os limites da regulamentação e da tributação existentes. A capacidade do estado de navegar essa complexidade definirá seu sucesso fiscal futuro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





