A Meta não poupou esforços em seu evento Meta Connect 2026, anunciando uma bateria de lançamentos que visam redefinir sua posição no mercado de realidade virtual e inteligência artificial. A principal estrela da apresentação foi o Meta VR Glasses, um dispositivo de computação espacial que se posiciona como um rival direto do Apple Vision Pro, mas com uma proposta de valor distinta focada em leveza, conforto e preço mais acessível.

O design inovador do Meta VR Glasses divide o hardware em duas partes: o headset, que abriga as telas 5K Infinite Display com suporte a Dolby Vision e Dolby Atmos, e um módulo externo para a bateria e os componentes de processamento e armazenamento. Essa arquitetura permite um headset ultraleve, conectado por um cabo óptico, o que promete uma experiência mais confortável em longas sessões de uso. A bateria externa oferece até 3 horas de uso contínuo e recarga rápida. Apesar das vantagens em peso e custo — US$1.300 contra os valores do Vision Pro —, o dispositivo da Meta apresenta algumas limitações, como a ausência de vedação de luz, resolução e campo de visão inferiores, e a falta de uma tela externa para comunicação visual.

Avatares Fotorrealistas e a Nova Fronteira da IA

A Meta também buscou virar o jogo no campo dos avatares. Enquanto as "Personas" da Apple para o Vision Pro foram alvo de críticas, a empresa de Mark Zuckerberg apresentou os Avatares Holográficos (Hologram Calling). Utilizando o modelo Muse Realtime Avatar, esses avatares digitais fotorrealistas recriam em tempo real expressões faciais, movimentos de cabeça e nuances de voz do usuário. A criação é facilitada pelas câmeras e sensores internos dos Meta VR Glasses, eliminando a necessidade de longos treinamentos prévios, como exigido pelo Vision Pro. A integração se estende a chamadas em plataformas como WhatsApp e Zoom, onde o avatar pode ser transmitido para quem está do outro lado da chamada, independentemente do dispositivo utilizado.

Muse Charm: IA no Bolso

Expandindo sua estratégia de IA, a Meta apresentou o Muse Charm, um dispositivo de bolso compacto com tela OLED de 2 polegadas. Alimentado pela plataforma de inteligência artificial Muse, ele exibe um avatar interativo chamado Jolly, possui leitor de impressões digitais, botão para comandos de voz e conectividade 5G integrada. Desenvolvido em colaboração com Alan Dye, ex-chefe de design de interface da Apple, o Muse Charm é um exemplo tangível da ambição da Meta em integrar IA em dispositivos do cotidiano. Previsto para dezembro deste ano, seu preço será similar ao de um smartwatch.

Novos Óculos Ray-Ban e Áudio Inteligente

A parceria com a Ray-Ban também rendeu novidades. Os Ray-Ban Meta Audio, focados em áudio e interação com a IA Muse, eliminam as câmeras para atender a preocupações com privacidade, posicionando-se como concorrentes dos AirPods a partir de US$350. Já a terceira geração dos óculos Ray-Ban Meta traz melhorias significativas: uma câmera de 12MP com gravação 3K Ultra HD, LED de indicação, áudio Dolby Atmos 360º e autonomia ampliada para até 9 horas. Microfones com cancelamento de ruído aprimorado e um botão dedicado para a Meta AI ou tradução ao vivo complementam o pacote. Nos EUA, custam a partir de US$450, e no Brasil, a partir de R$3.700. As versões com tela inteligente também receberam atualizações de software, incluindo suporte a avatares holográficos e navegação contextual por voz.

As inovações da Meta no Meta Connect 2026 sinalizam uma clara estratégia de diversificação e aprofundamento em tecnologias de ponta. Ao focar em acessibilidade de preço e conforto para seus óculos de VR, além de avanços notáveis em inteligência artificial e avatares realistas, a empresa busca não apenas competir, mas também moldar o futuro da computação espacial e da interação digital, com o objetivo de consolidar sua visão de um metaverso mais integrado e imersivo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Mac Magazine