Centenas de manifestantes se reuniram em São Paulo para exigir neutralidade da Meta, empresa dona de plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, em relação ao conteúdo político e eleitoral no Brasil. O ato, que ocorreu na zona oeste da cidade, próximo às sedes da Meta e do Google, teve como lema “Meta, não se meta” e apontou diversas irregularidades na gestão das redes sociais.
Os participantes denunciaram o que consideram censura a ativistas, falta de imparcialidade na mediação de conteúdos e a defesa de interesses próprios pela empresa. Um manifesto foi entregue à Meta, mas, segundo os organizadores, o protocolo formal não foi permitido, sendo o documento encaminhado digitalmente em uma ação coordenada. Veronica Gimenez, programadora e participante da organização pela ONG TravaHacker, destacou a importância da transparência e monitoramento na gestão das plataformas, que sustentam grande parte do debate público.
As críticas também abrangeram a soberania digital e popular, com questionamentos sobre a influência de grandes empresas de dados em sistemas governamentais. Gimenez afirmou que a “ganância de monopólio” leva a abusos e ao descumprimento de compromissos básicos com o debate público e a democracia. Ela ressaltou que este não é o primeiro, nem será o último documento direcionado à empresa, indicando uma persistência na cobrança por maior responsabilidade.
A desigualdade no impulsionamento de conteúdos, com um suposto favorecimento a grupos de direita, e a falta de proteção a minorias, além do fomento a discursos de ódio por meio de algoritmos, foram temas centrais nas falas. O ativista Thiago Torres Santos, conhecido como Chavoso da USP, relatou ter sido banido de uma plataforma da Meta mesmo com ordem judicial favorável, evidenciando um desrespeito às decisões do sistema legal brasileiro e uma suposta influência nas eleições.
Paralelamente ao protesto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também tem atuado para garantir a neutralidade das plataformas. Na semana passada, o TSE atendeu a um pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que a Meta explique dados que sugerem um desfavorecimento de conteúdos lulistas e um destaque ao campo adversário, o que poderia infringir a legislação eleitoral. Uma queixa similar foi apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, sobre o impulsionamento desigual de anúncios pagos.
O ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a Meta comprove, em 24 horas, a adoção de medidas de isonomia na distribuição de posts políticos e na veiculação de anúncios de campanha. Em resposta, a Meta alegou que a dificuldade na geração de conteúdos e no acesso a comunidades e grupos se deve ao excesso de regras eleitorais e à natural demora nos processos de checagem e liberação de conteúdos. A empresa busca justificar possíveis atrasos ou restrições como resultado de um ambiente regulatório complexo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





