Países se reunirão na Armênia entre 19 e 30 de outubro para a primeira revisão global do progresso em direção às metas de natureza da ONU para 2030. Estes objetivos, juntamente com a ambição mais ampla de deter e reverter a perda de biodiversidade globalmente, foram estabelecidos no histórico Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal em 2022. No entanto, um relatório chave das Nações Unidas aponta que as ambições não serão alcançadas dentro do prazo de 2030 a menos que a ação "acelere rapidamente".

O documento detalha que as nações estão falhando em 22 das 23 metas estabelecidas. Essas metas abrangem desde a restauração de ecossistemas e o aumento do financiamento para a natureza até a redução de subsídios prejudiciais. A conferência COP17 servirá como o principal fórum para discutir esses achados e traçar caminhos para acelerar a ação. O relatório resume o progresso, ou a falta dele, em cada uma das 23 metas, avaliando o grau em que os países abordaram esses elementos em nível nacional.

Atraso na Ação Ambiental Global

A análise do relatório é clara: o ritmo atual de implementação das metas de biodiversidade é insuficiente. A falha em atingir 22 das 23 metas sublinha um desafio persistente na tradução de compromissos globais em ações concretas no terreno. A meta que parece estar no caminho certo foca em áreas protegidas, mas mesmo esta exige esforços contínuos e um aumento na sua eficácia. O relatório destaca que a falta de progresso abrange áreas críticas como a restauração de ecossistemas degradados, a proteção de espécies ameaçadas e a gestão sustentável de recursos naturais.

Desafios na Implementação e Financiamento

Um dos principais obstáculos identificados é a lacuna no financiamento destinado à conservação e restauração da biodiversidade. Os países têm lutado para mobilizar os recursos financeiros necessários, que são essenciais para a implementação de programas de conservação eficazes e para a transição para práticas mais sustentáveis em setores como agricultura, pesca e silvicultura. Além disso, a redução de subsídios prejudiciais, como aqueles que incentivam a pesca excessiva ou o uso insustentável da terra, tem enfrentado resistência política e econômica, dificultando a mudança para modelos de desenvolvimento mais alinhados com a proteção ambiental.

A COP17 como Ponto de Virada?

A COP17 na Armênia representa uma oportunidade crítica para os governos reavaliarem suas estratégias e intensificarem seus esforços. A primeira revisão global do progresso desde a adoção do Quadro de Kunming-Montreal é um momento decisivo para avaliar o que funcionou, o que não funcionou e quais ajustes são necessários. A expectativa é que a conferência gere um impulso renovado para a ação, com países apresentando planos mais ambiciosos e mecanismos de financiamento mais robustos. A pressão pública e científica por resultados tangíveis para 2030 é imensa, e a COP17 será um teste para a capacidade da comunidade internacional de cumprir suas promessas ambientais.

O Futuro da Biodiversidade em Risco

O cenário apresentado pelo relatório é um alerta severo. A falha em reverter a perda de biodiversidade até 2030 terá consequências profundas e de longo alcance para os ecossistemas, a economia global e o bem-estar humano. A biodiversidade sustenta serviços ecossistêmicos vitais, como polinização, purificação de água e regulação climática, que são fundamentais para a vida na Terra. A desaceleração do progresso significa que a janela de oportunidade para evitar os piores impactos da crise ecológica está se fechando rapidamente. A COP17 precisa ser um marco de virada, onde a retórica se transforme em ação concreta e mensurável, garantindo um futuro mais sustentável para o planeta.

A reunião na Armênia é um chamado à ação urgente. A necessidade de acelerar os esforços para cumprir as metas de biodiversidade de 2030 é inegável, e o sucesso dependerá da vontade política e da colaboração internacional para implementar as mudanças necessárias.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Carbon Brief