A Microsoft Advertising está estabelecendo novas regras para o uso de inteligência artificial na criação de anúncios em sua plataforma. A empresa publicou um guia determinando que anunciantes são responsáveis por sinalizar quando uma peça publicitária foi gerada ou materialmente alterada por IA, especialmente quando a lei local assim o exigir.

O movimento não é uma proibição, mas um claro posicionamento de que a inovação tecnológica não concede um passe livre para a falta de transparência ou para a criação de conteúdo enganoso. Segundo reportagem do site Search Engine Land, a Microsoft está transferindo a responsabilidade para o anunciante, que deve cumprir as leis aplicáveis e garantir as devidas autorizações para uso de imagem ou voz.

Transparência como linha de defesa

O cerne da nova política é a responsabilização. Anunciantes devem preservar metadados, marcas d'água e outras informações que indiquem a origem e o processo de criação do conteúdo sintético. A recomendação é que os avisos sobre o uso de IA sejam incorporados diretamente nas imagens ou vídeos, de forma clara e próxima ao conteúdo relevante.

A medida ataca uma preocupação crescente: a simples etiqueta "gerado por IA" não legitima um anúncio enganoso. A Microsoft reitera que peças que contenham deepfakes, se passem por pessoas ou organizações, ou usem a imagem de alguém sem autorização continuarão sendo rejeitadas. A distinção fundamental é entre usar a IA como ferramenta criativa e usá-la para deliberadamente enganar o consumidor.

O efeito no mercado

Ao traçar essa linha, a Microsoft não apenas organiza sua própria plataforma, mas também pressiona concorrentes como Google e Meta a solidificarem suas próprias políticas. A iniciativa estabelece um novo padrão de conduta para a publicidade digital em um momento em que a geração de conteúdo por IA se torna trivial e acessível.

Para o ecossistema de marketing e publicidade, incluindo o brasileiro, a diretriz sinaliza a necessidade de adaptar processos. Agências e marcas precisarão revisar seus fluxos de criação para garantir não apenas a conformidade com a legislação local — como a LGPD, no que tange ao uso de dados e imagem —, mas também com as regras cada vez mais estritas das plataformas de veiculação.

A batalha pela integridade do ecossistema publicitário na era da IA está apenas começando. A iniciativa da Microsoft é um passo importante, mas o debate sobre o que constitui "conteúdo enganoso" e como fiscalizá-lo em escala global promete ser complexo e duradouro. A tecnologia avança mais rápido que a regulação, e as plataformas assumem um papel de legisladoras de fato.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Search Engine Land