Os contratos futuros de minério de ferro registraram a quinta sessão consecutiva de queda, refletindo a fragilidade da demanda sazonal por aço na China. Na Bolsa de Dalian, o contrato para setembro fechou a 760 yuans por tonelada, enquanto em Cingapura os preços oscilam próximos às mínimas de março, pressionados por margens reduzidas nas siderúrgicas e custos logísticos. A situação é agravada pela queda nas vendas de veículos chineses, que recuaram 22,3% em relação ao ano anterior, sinalizando um mercado consumidor sob estresse.
O cenário atual aponta para uma transição estrutural no consumo de aço, com o setor manufatureiro chinês ganhando relevância sobre a construção civil. Segundo dados da consultoria Mysteel, a manufatura deve responder por 53% do consumo total até 2025. Esse movimento, somado à queda na utilização de altos-fornos, indica um ambiente operacional desafiador para as produtoras globais, que enfrentam a compressão de margens pela alta nos custos do carvão e pela volatilidade nos preços do aço.
Dinâmica de custos e oferta global
A pressão sobre o setor siderúrgico é acentuada por distorções logísticas entre rotas de exportação e o avanço de novos projetos de oferta. Enquanto os fretes Austrália-China recuaram, os custos a partir do Brasil permanecem elevados, criando uma pressão deflacionária sobre o minério brasileiro. Paralelamente, o projeto de Simandou avança na recuperação de exportações, reforçando a expectativa de maior competição global até 2028.
Seletividade e posicionamento de mercado
Diante da menor visibilidade de demanda, o Bradesco BBI defende uma postura seletiva. A preferência por empresas como Vale e Ternium reflete a busca por ativos com maior resiliência operacional. Enquanto isso, nomes como Gerdau, CSN e Usiminas permanecem com recomendação neutra, evidenciando o ceticismo do mercado quanto à capacidade de repasse de preços no curto prazo.
Perspectivas para o setor siderúrgico
O mercado observa agora o ajuste nos estoques de aço como um possível fator de equilíbrio. A redução de inventários ao longo da cadeia produtiva é vista como um sinal positivo, embora insuficiente para compensar a fraqueza da demanda final. A estabilidade de preços em mercados como o dos Estados Unidos contrasta com a incerteza do cenário doméstico brasileiro.
Desafios de curto prazo
As tensões entre oferta e demanda devem persistir enquanto as margens siderúrgicas não demonstrarem recuperação consistente. O monitoramento das taxas de utilização de capacidade instalada e dos custos de insumos será determinante para identificar uma mudança de tendência. O setor aguarda sinais de estabilização macroeconômica na China para definir o próximo ciclo de investimentos.
A volatilidade atual do minério de ferro coloca em xeque a estratégia de crescimento de diversas siderúrgicas, forçando uma reavaliação de portfólios em um cenário de custos elevados. A capacidade das empresas em manter margens diante de uma demanda volátil será o principal diferencial para os investidores nos próximos trimestres.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





