A Minerva Foods entregou um segundo trimestre de 2026 (2T26) sem surpresas nos números operacionais, mas com sinais de alerta que devem pautar a narrativa da companhia no restante do ano. A receita líquida atingiu R$ 14,1 bilhões e o Ebitda ajustado somou R$ 1,2 bilhão, cifras amplamente em linha com as expectativas do mercado, segundo reportagem do Money Times que compilou análises de XP, BTG Pactual e Itaú BBA.
O problema não está no que o balanço mostrou, mas no que ele esconde. Por trás da aparente estabilidade operacional, uma forte queima de caixa e a crescente incerteza sobre o mercado chinês acenderam a luz amarela entre os analistas. A leitura é que a resiliência da operação não foi suficiente para gerar catalisadores positivos, deixando a tese de investimento travada.
O caixa no centro das atenções
O ponto mais crítico do balanço foi a dinâmica de capital de giro. A Minerva consumiu cerca de R$ 1,1 bilhão no trimestre, resultando em um fluxo de caixa livre negativo de R$ 611 milhões — um número bem abaixo das projeções mais otimistas, como a da XP, que esperava uma geração positiva de R$ 100 milhões. Esse consumo, atribuído ao aumento de estoques e contas a receber, pressionou diretamente a alavancagem.
A relação entre dívida líquida e Ebitda subiu para aproximadamente 3 vezes, ante 2,8 vezes no trimestre anterior. Para bancos como o BTG Pactual, a mensagem é clara: sem uma melhora na geração de caixa e uma trajetória convincente de desalavancagem, será difícil destravar valor para o acionista e dar novo impulso às ações.
O desafio chinês
O outro vetor de preocupação é geopolítico e comercial. A cota de importação de carne bovina da China para o Brasil foi esgotada, o que significa que novas vendas para o gigante asiático enfrentarão tarifas mais altas. A forte participação das vendas brasileiras no resultado da Minerva no segundo trimestre, portanto, pode ter sido o último grande impulso vindo dessa frente em 2026.
A companhia agora enfrenta o desafio de redirecionar volumes para outros mercados, como Estados Unidos e Oriente Médio, sem sacrificar as margens. Embora a diversificação geográfica da Minerva seja uma vantagem competitiva, o terceiro trimestre será um teste crucial para provar a capacidade da empresa de manobrar essa mudança na demanda global sem grandes impactos financeiros.
Diante do cenário, a cautela prevalece. XP, BTG e Itaú BBA mantiveram suas recomendações neutras para a ação (BEEF3). O balanço não indicou uma deterioração relevante, mas também falhou em apresentar os gatilhos necessários para reacender o otimismo do mercado. Por ora, a Minerva permanece em uma encruzilhada, com a eficiência operacional sendo ofuscada por ventos contrários no balanço financeiro e no comércio exterior.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





