Os Estados Unidos consideram o uso da GBU-43/B, apelidada de "mãe de todas as bombas" (MOAB), como parte de planos militares para instalações nucleares e infraestrutura energética do Irã. A decisão final caberia ao presidente Donald Trump. Com aproximadamente 9,8 toneladas, a MOAB figura entre as armas convencionais mais poderosas do arsenal americano, capaz de devastar extensas áreas. Contudo, sua capacidade de atingir estruturas profundamente enterradas é limitada, o que levanta dúvidas sobre sua aplicabilidade contra alvos iranianos específicos.

A MOAB, sigla para Massive Ordnance Air Blast, foi desenvolvida no Laboratório de Pesquisa da Força Aérea americana e testada pela primeira vez em 2003. Lançada de aeronaves de transporte como o MC-130, utiliza GPS para navegação. Diferentemente de bombas penetradoras, a MOAB detona no ar, gerando uma onda de choque que pode cobrir uma área equivalente a nove quarteirões urbanos. Essa característica a torna eficaz contra alvos amplos, mas menos adequada para instalações subterrâneas fortemente protegidas.

Capacidades e Limitações Estratégicas

A arma possui cerca de nove metros de comprimento e carrega uma carga explosiva equivalente a 11 toneladas de TNT. Sua principal aplicação é contra grandes concentrações de tropas, equipamentos e estruturas expostas. Embora seja uma das armas convencionais mais potentes dos EUA, seu poder destrutivo é significativamente menor do que as bombas nucleares lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945. Essa distinção é crucial ao avaliar seu potencial contra o programa nuclear iraniano.

A Ineficácia Contra Alvos Subterrâneos

Fontes militares ouvidas pela CNN indicam que a MOAB provavelmente não teria a capacidade de penetrar o solo o suficiente para destruir instalações nucleares profundamente enterradas, como as associadas à Montanha Pickaxe. "É uma arma excelente para devastar grandes áreas, mas pouco útil para outras finalidades", afirmou uma fonte familiarizada com as discussões. "Definitivamente, ela não foi projetada como uma ogiva de penetração profunda." A explosão poderia causar danos superficiais severos sem atingir estruturas protegidas no subsolo.

Contexto Geopolítico e Uso Anterior

Os Estados Unidos empregaram a MOAB pela primeira vez em combate em abril de 2017, no Afeganistão, contra uma rede de túneis do Estado Islâmico. O ataque resultou na morte de 36 combatentes e destruiu túneis e armamentos, sem relatos de vítimas civis. A possibilidade de seu uso contra o Irã surge em um momento de tensão, embora Trump tenha declarado em outubro de 2026 que os EUA não atacariam o país antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Apesar dessa pausa, não há um acordo de trégua, e a retomada de ofensivas permanece condicionada a uma decisão presidencial.

Perguntas em Aberto

A discussão sobre o uso da MOAB contra o Irã expõe as complexidades da guerra moderna e a adequação de armas convencionais em cenários de alta tensão. A limitação da bomba em atingir alvos subterrâneos levanta questões sobre a real estratégia militar americana e os objetivos que se busca alcançar com tal armamento. O emprego da MOAB, mesmo que não destrua instalações nucleares, poderia ter um impacto psicológico e dissuasório significativo, mas também aumentaria o risco de vítimas civis e escalada do conflito.

A decisão de empregar uma arma de tal magnitude, com capacidades e limitações claras, reflete um dilema estratégico: a demonstração de força versus a eficácia real em atingir objetivos específicos e as consequências humanitárias e geopolíticas. O cenário iraniano, com suas instalações potencialmente subterrâneas, parece ser um teste para a capacidade de adaptação e emprego de armamentos convencionais em conflitos assimétricos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Olhar Digital