O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) se prepara para receber uma exposição abrangente da obra de Eva Hesse, artista germano-americana conhecida por desafiar as convenções do Minimalismo. Intitulada "Eva Hesse: Wild Space, 1957-1970", a mostra, que ficará em cartaz de 30 de maio a 25 de setembro de 2027, reunirá mais de 150 trabalhos com o objetivo de recontextualizar a prática experimental da artista, com um foco inédito na influência de seus desenhos sobre suas esculturas e pinturas canônicas.

Organizada por Lanka Tattersall, curadora do departamento de gravuras e desenhos do MoMA, a exposição representa a primeira grande apresentação museológica dedicada a Hesse desde 2002, quando o Museu de Arte Moderna de São Francisco realizou uma retrospectiva de seu trabalho. Segundo Tattersall, a intenção é não apenas revisitar o papel do desenho na obra de Hesse, mas também apresentar a amplitude de sua produção a novas gerações de espectadores. "Minha sensação é que há gerações de artistas em Nova York e além que podem ter lido sobre o trabalho de Hesse, ou visto uma escultura aqui ou ali, mas não tiveram a chance de pensar sobre a polinização cruzada entre suas obras em papel e suas esculturas", afirma Tattersall. "Sua abordagem à liberdade experimental pode encorajar futuras gerações de artistas a experimentar com seus materiais, com suas formas, e a lidar com a questão do que significa ser um artista na sociedade."

O Legado de Eva Hesse

Nascida em Hamburgo, Alemanha, em 1936, de pais judeus, Eva Hesse fugiu do regime nazista com sua família em 1938, estabelecendo-se na cidade de Nova York. Após concluir um certificado em Belas Artes na Cooper Union em 1957, Hesse formou-se pela Universidade de Yale em 1959. Lá, estudou sob a orientação de Josef Albers e Rico Lebrun, começando a desenvolver sua abordagem a formas abstratas e cores. Hesse resistiu a categorias fixas para seu trabalho, chegando a dizer que seus desenhos e esculturas poderiam ser chamados de pinturas e que parte de sua obra poderia ser chamada de "nada". Ela descreveu seus primeiros trabalhos em papel como tendo um "espaço selvagem", "não constante, mas flutuante".

A exposição apresentará uma seleção dessas obras iniciais, incluindo uma gravura sem título de 1957 da coleção do MoMA, uma das poucas impressões que Hesse produziu em vida. Serão exibidas também peças criadas na década seguinte, período em que se imergiu na cena artística do centro de Nova York dos anos 1960 e no emergente movimento Minimalista. O desenho permaneceu como uma força motriz para seu trabalho escultural nesse período, quando Hesse passou a experimentar com materiais não convencionais como látex e fibra de vidro.

A Fricção entre Desenho e Escultura

Em 1964, Hesse retornou à Alemanha pela primeira vez desde a infância, acompanhando seu marido, o escultor Tom Doyle, a uma residência artística apoiada pelo industrial alemão Friedrich Arnhard Scheidt. Trabalhando em uma fábrica têxtil desativada em Kettwig an der Ruhr, Hesse começou a usar sucata de corda para criar uma série de relevos notáveis por fundir formas corporais e mecânicas. Um exemplo é "Ringaround Arosie" (1965), uma obra feita de formas circulares empilhadas que possuem uma qualidade sensual e orgânica, e que Hesse descreveu como reminiscentes de um "peito e pênis".

Hesse exibiu esta obra e uma coleção de relevos inovadores em uma exposição realizada dentro de uma estufa na propriedade da família Scheidt em 1965, ao lado de várias obras em papel. A exposição do MoMA, pela primeira vez, dedicará um foco específico a essa mostra, reunindo os relevos e desenhos para explorar como os trabalhos em papel de Hesse se expandiram tridimensionalmente e como ela fundiu imagens maquínicas com formas orgânicas, criando configurações híbridas. Esta seção incluirá também um filme mostrando Hesse interagindo com visitantes na abertura.

O Impacto de "Contingent"

O ponto central da exposição é "Contingent" (1969). A obra foi concluída pouco antes da morte de Hesse por um tumor cerebral aos 34 anos e estampou a capa da revista Artforum naquele mês. Um dos trabalhos emblemáticos de Hesse, "Contingent" é composto por oito painéis monumentais em forma de folha, feitos de fibra de vidro, resina e gaze revestida de látex, suspensos do teto, com alguns deles curvando-se até o chão.

"Ela mesma pensava em "Contingent" como uma obra que rompe barreiras, que parece tanto pintura quanto escultura", disse Tattersall. "Ela usou diferentes mídias para criar algo que certamente não tinha visto em sua vida, e que muitos de nós veremos pela primeira vez. Possui a leveza e a translucidez que se vê em alguns de seus desenhos". A escultura, emprestada da Galeria Nacional da Austrália, não era exibida na cidade de Nova York desde os anos 1970. Outros empréstimos importantes para a mostra vêm do Art Institute of Chicago, do Museum Ludwig em Colônia, do Moderna Museet em Estocolmo e de várias coleções particulares.

Questões em Aberto e o Futuro do Legado

"Hesse é uma das artistas que nos ajudou tanto a ver uma categoria claramente quanto a entender como refazer, repensar ou até mesmo desfazer certas categorias estéticas", acrescenta Tattersall. "Espero que as pessoas vejam que houve muita experimentação livre, muita selvageria no trabalho, e que levem isso como um modelo para si mesmas". A exposição no MoMA promete reabrir o debate sobre a complexidade e a inovação da obra de Eva Hesse, incentivando uma nova apreciação de sua contribuição para a arte moderna e contemporânea, e reafirmando a importância de explorar as conexões intrínsecas entre diferentes mídias artísticas. A mostra convida o público a refletir sobre como a liberdade criativa de Hesse pode inspirar artistas hoje a superar limites e a questionar o papel da arte na sociedade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews