O Morgan Stanley ajustou sua visão sobre Vibra Energia (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), duas gigantes do setor de distribuição de combustíveis. Apesar de ter elevado os preços-alvo e revisado para cima as projeções de Ebitda para as companhias, o banco rebaixou a recomendação de suas ações. A Vibra Energia, antes classificada como 'overweight' (equivalente à compra), agora figura como 'equal-weight' (neutra), enquanto a Ultrapar migrou de 'equal-weight' para 'underweight' (venda).
Tese de Crescimento Já Precificada
Os analistas do Morgan Stanley, liderados por Bruno Montanari, argumentam que a tese de expansão de margens e ganho de participação de mercado, que impulsionou as ações nos últimos 18 meses, já se materializou e está amplamente precificada. "A tese de margem e participação de mercado aconteceu e agora parece mais do que precificada", afirmam os analistas. Essa percepção leva o banco a reduzir a exposição às ações, mesmo com a elevação pontual dos preços-alvo — R$ 43 para Vibra e R$ 36 para Ultrapar — e projeções de Ebitda entre 8% e 12% mais altas.
Cenário Regulatório e de Mercado Favorável
O setor de distribuição de combustíveis no Brasil tem sido beneficiado por um ambiente regulatório e de mercado favorável. Medidas regulatórias nos últimos 18 meses reduziram a participação de distribuidores informais em cerca de 550 pontos-base, permitindo que as grandes distribuidoras ganhassem volume e rentabilidade. Adicionalmente, um cenário internacional de tensões no Oriente Médio elevou os spreads do diesel, enquanto a Petrobras manteve preços domésticos abaixo da paridade de importação. Essa dinâmica criou oportunidades de arbitragem para empresas como Vibra e Ultrapar, impulsionando seus resultados recentes.
Projeções de Lucro em Queda a Partir de 2027
Apesar dos ventos favoráveis de curto prazo, o Morgan Stanley projeta um cenário menos otimista para os lucros a partir de 2027. A expectativa é que a Petrobras ajuste os preços do diesel e que os spreads internacionais do combustível retornem a níveis mais normais, diminuindo os ganhos extraordinários observados em 2026. Com isso, o banco estima uma queda de 34% no lucro por ação (EPS) da Vibra e de 20% para a Ultrapar em 2027. Mesmo com as revisões positivas de curto prazo, o potencial de valorização remanescente é considerado limitado, com um upside de cerca de 14% para VBBR3 e um potencial de desvalorização de 7% para UGPA3.
O Que Vem Por Aí
A mudança de recomendação do Morgan Stanley sinaliza um ponto de inflexão para o setor. Embora as empresas tenham navegado com sucesso em um ambiente regulatório e de mercado favorável, a sustentabilidade desses ganhos extraordinários a longo prazo é questionada. Investidores que buscaram exposição ao setor em busca de crescimento contínuo podem precisar reavaliar suas estratégias, considerando as projeções de queda nos lucros a partir de 2027 e o potencial de valorização limitado das ações.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





