A MorningStar Farms, uma das pioneiras no mercado de carnes vegetais, anuncia um rebranding que busca resgatar suas origens e se destacar em um ambiente de consumo cada vez mais ideologizado. Em um momento de dificuldades para o setor, com concorrentes lutando por receita e a própria categoria se tornando um campo de batalha cultural, a marca optou por uma estratégia de nostalgia, com um novo design que remete aos anos 1970.

Um Retorno às Origens

A estratégia da MorningStar Farms, em parceria com a agência Design Bridge and Partners, foca em sua herança de 52 anos. O novo visual, com tipografia renovada, uma paleta de cores verde vibrante e um estilo retrô, tem o objetivo de evocar a história da marca e, ao mesmo tempo, capturar a atenção nas prateleiras. A ideia é lembrar aos consumidores que as alternativas à carne não são uma novidade recente, mas sim algo estabelecido há décadas. "Eles não eram bons porque eram velhos; eram velhos porque eram bons" – este lema interno guiou a equipe criativa, buscando sublinhar a longevidade e a qualidade intrínseca da marca em vez de se alinhar a tendências passageiras.

Navegando em Águas Turbulentas

O rebranding ocorre em um período delicado para o mercado de carnes vegetais. Empresas como Beyond Meat e Impossible Foods enfrentam quedas significativas em suas receitas e avaliações de mercado, com algumas chegando a reformular suas identidades visuais na tentativa de reverter o quadro. Além disso, a carne vegetal transformou-se em um símbolo nas chamadas 'guerras culturais', associada ao movimento pela sustentabilidade e, por vezes, vista com desconfiança por setores mais conservadores. A MorningStar Farms, contudo, parece evitar se posicionar diretamente nesse debate ideológico. Em vez de tentar parecer mais 'carnuda' como a Impossible Foods, ou mais 'vegetal' como a Beyond, a marca escolhe destacar sua longevidade como um diferencial, sinalizando estabilidade e familiaridade em um mercado volátil.

O Apelo da Nostalgia no Design

Para Alicia Mosley, vice-presidente e gerente geral da Morningstar Farms, os três pilares do novo branding foram: recontextualizar os 52 anos de história da marca, ajudar os consumidores a identificar benefícios chave como sabor e teor de proteína, e facilitar a localização dos produtos nas gôndolas. A inspiração nos anos 70, segundo Sherwood, da Design Bridge and Partners, foi uma forma de acessar a verdade fundamental da marca – sua antiguidade como prova de sua qualidade. Este movimento de design, ao invés de tentar se adaptar às narrativas políticas em torno da carne vegetal, busca criar uma conexão emocional através da familiaridade e da história, posicionando a MorningStar como uma opção confiável e já estabelecida, livre das controvérsias atuais.

Perguntas em Aberto

Resta saber se a aposta na nostalgia será suficiente para rejuvenescer a percepção da marca e impulsionar as vendas em um mercado saturado e politizado. A estratégia da MorningStar Farms, ao se distanciar das 'guerras culturais', pode atrair consumidores que buscam opções mais neutras. No entanto, a capacidade de competir com inovações de produtos e a ressonância do apelo retrô com novas gerações de consumidores ainda são pontos a serem observados.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company