Todos os anos, acidentes de trânsito ceifam mais de um milhão de vidas globalmente, sendo a principal causa de morte para crianças e jovens. Nos Estados Unidos, essa estatística se traduz em cerca de 100 mortes diárias, muitas delas ocorrendo em ruas rurais e locais, e não apenas em rodovias. A percepção geral é de que essas mortes são um preço inevitável da mobilidade moderna, mas ativistas e urbanistas argumentam que elas representam uma causa de morte evitável.
A complexidade das causas de acidentes envolve tanto o erro humano — como excesso de velocidade ou distração — quanto falhas na infraestrutura. Estradas projetadas para alta velocidade, veículos com excesso de informação visual e cruzamentos perigosos para pedestres, ciclistas e motoristas contribuem para o cenário. Apesar da existência de soluções de baixo custo e comprovada eficácia, como o uso de elementos para estreitar cruzamentos ou a redução de limites de velocidade, barreiras burocráticas e a lentidão governamental frequentemente impedem sua implementação.
O progresso na redução de mortes no trânsito tem sido lento e, em algumas regiões, o número total de fatalidades aumentou nas últimas décadas. Embora a taxa de mortalidade nos EUA tenha caído desde o pico dos anos 1930, a última década registrou um aumento preocupante em incidentes fatais envolvendo pedestres. Paralelamente, há um despertar crescente sobre o papel essencial das políticas de segurança viária, impulsionado por organizações como a Vision Zero Network.
Um exemplo notável de sucesso é Hoboken, Nova Jersey, que não registra mortes no trânsito desde 2017. A cidade implementou uma combinação de medidas, incluindo o aumento do investimento em transporte público, a promoção da caminhabilidade com o avanço de calçadas e o uso de câmeras para identificar e redesenhar cruzamentos de alto risco. Contudo, mesmo em Hoboken, desafios persistem. A necessidade de comprovar estatisticamente o perigo de um cruzamento para justificar a remoção de vagas de estacionamento, por exemplo, torna a venda dessas melhorias um processo árduo.
A aplicabilidade dessas soluções varia. Hoboken, por sua localização e densidade populacional, é um caso específico. No entanto, cidades com características distintas, como Edmonton, Alberta, no Canadá, também alcançaram resultados expressivos. Entre 2015 e 2020, Edmonton, uma cidade predominantemente voltada para o carro, reduziu as fatalidades no trânsito em 63% e as lesões graves em 40%, ajustando limites de velocidade e melhorando a sinalização em travessias de pedestres.
O conhecimento técnico para otimizar cruzamentos e sinais de trânsito existe. O principal obstáculo reside em garantir o financiamento e a vontade política para implementar essas mudanças em larga escala, um desafio que se assemelha a um sinal vermelho no caminho para a segurança viária universal.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · MIT Technology Review




