A Mosaic, uma das maiores produtoras de fertilizantes do mundo, registrou um prejuízo líquido de US$ 72 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de US$ 411 milhões obtido no mesmo período do ano anterior. O resultado por ação caiu de US$ 1,29 para um prejuízo de US$ 0,23. A companhia, com sede nos Estados Unidos, atribuiu parte significativa desse desempenho negativo a US$ 53 milhões em itens extraordinários antes de impostos, que incluíram ajustes em provisões ambientais, custos de fechamento de instalações e despesas de reestruturação. Em termos ajustados, o prejuízo por ação foi de US$ 0,19, contrastando com o lucro de US$ 1,04 do ano anterior.

Contexto e Desafios no Setor de Fertilizantes

As vendas líquidas da Mosaic também sofreram uma retração de 10,2%, totalizando US$ 3,1 bilhões no trimestre. O Ebitda ajustado despencou 59,8%, de US$ 806 milhões para US$ 324 milhões. Essa queda é explicada pela redução nos volumes de venda em todos os segmentos e pelo aumento nos custos de matérias-primas, especialmente nas divisões de Fosfatados e Fertilizantes. Embora os preços dos fosfatados tenham apresentado alta, o impacto dos custos foi mais pronunciado. O CEO da Mosaic, Bruce Bodine, destacou que a empresa buscou otimizar o que estava ao seu alcance, ajustando a produção de fosfatados à disponibilidade de enxofre a preços competitivos e fortalecendo sua posição financeira.

Impacto nas Operações e Segmentos

No segmento de Potássio, o Ebitda ajustado recuou 13,7% na comparação anual, atingindo US$ 284 milhões. A situação foi mais crítica na divisão de Fosfatados, onde o Ebitda ajustado caiu 82,5%, somando apenas US$ 49 milhões. A operação brasileira, Mosaic Fertilizantes, sentiu fortemente o impacto, com seu Ebitda ajustado caindo 83% para US$ 41 milhões, contra US$ 241 milhões no ano anterior. A empresa citou a redução de volumes de venda e a menor absorção de custos fixos como fatores principais, parcialmente compensados por margens de distribuição mais elevadas.

Cenário Macroeconômico e Agrícola Global

A Mosaic pontua que o cenário macroeconômico global permanece volátil, marcado por tensões no Oriente Médio, gargalos logísticos e conflitos na Rússia e Ucrânia afetando infraestruturas energéticas e agrícolas. Adicionalmente, a intensificação do fenômeno El Niño e os efeitos da aplicação insuficiente de nutrientes nas lavouras nos últimos dois anos criam um ambiente mais restritivo para o setor agrícola. Contudo, esses fatores, paradoxalmente, impulsionaram os preços das commodities agrícolas desde o segundo trimestre, o que tem estimulado a demanda por fertilizantes, especialmente na América do Norte. Segundo a companhia, a expectativa é que essa tendência de aquecimento na demanda por fertilizantes se mantenha ao longo de 2027.

Perspectivas para 2027

Apesar do prejuízo reportado, a Mosaic aposta na recuperação da demanda por fertilizantes em 2027, impulsionada por fatores climáticos e de mercado. A capacidade da empresa de gerenciar seus custos, otimizar a produção e navegar pelas complexidades logísticas e geopolíticas será crucial para reverter o quadro de perdas. O impacto do El Niño e a necessidade de reposição de nutrientes nas lavouras globais podem ser ventos favoráveis, mas a volatilidade dos preços das matérias-primas e a instabilidade geopolítica representam riscos significativos. Resta observar como a empresa se adaptará a este cenário dinâmico e se as iniciativas de otimização de portfólio trarão os resultados esperados.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney