A Motorola sofreu um revés significativo no Conselho de Autorregulamentação da Publicidade (Conar), que determinou que a fabricante de celulares deve alterar a forma como divulga a memória de seus aparelhos no Brasil. A prática de somar a memória RAM virtual à memória RAM física em materiais publicitários foi considerada irregular pelo órgão, que atua como um tribunal do setor. A decisão, tomada por unanimidade pelas câmaras quinta e oitava do Conselho de Ética do Conar, exige que a Motorola ajuste toda a sua comunicação, tanto em plataformas digitais quanto em pontos de venda físicos.
A polêmica gira em torno da chamada "memória RAM virtual", uma tecnologia que utiliza parte do armazenamento interno do aparelho (ROM) como uma extensão da memória RAM principal. Embora seja uma prática comum no mercado de smartphones para melhorar o desempenho em multitarefas, a Motorola vinha destacando o valor total (RAM física + RAM virtual) em suas propagandas, muitas vezes em letras garrafais, como se fosse a capacidade total de RAM física. Por exemplo, em modelos como o Edge 70 Pro e o Moto G86, a publicidade anunciava "até 24 GB de RAM", quando, na verdade, a memória RAM física era de apenas 12 GB, com os 12 GB restantes sendo a "RAM Boost Inteligente" (memória virtual). O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, em seu artigo 27, proíbe informações que possam induzir o consumidor a erro sobre as características do produto.
As implicações dessa decisão do Conar vão além da Motorola. A prática de destacar a memória RAM virtual como parte integrante da RAM física pode ter sido adotada por outras fabricantes, e este caso pode servir de precedente. O Conar, embora seja uma entidade privada e suas decisões não tenham força de lei judicial, possui grande peso no mercado publicitário brasileiro. Veículos de mídia, agências e as próprias marcas tendem a acatar suas determinações para evitar conflitos e manter a credibilidade. A Motorola ainda tem a opção de recorrer da decisão, mas o veredicto unânime sugere que a empresa terá que se adaptar à nova diretriz, alterando a forma como apresenta as especificações técnicas de seus smartphones para o público brasileiro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Tecnoblog





