Natalie May, aos 37 anos, foi diagnosticada com câncer de ovário em estágio 1, um caso raro e significativamente mais jovem do que a faixa etária típica para a doença. A descoberta ocorreu após a paciente notar um sangramento menstrual irregular, um sintoma que, segundo ela, foi fundamental para a detecção precoce e que pode ter salvado sua vida. Casos de câncer de ovário em pessoas mais jovens, incluindo mulheres na casa dos 20 e 30 anos, têm se tornado uma preocupação crescente, muitas vezes sendo negligenciados devido à sutileza de seus sinais, que podem ser confundidos com condições femininas comuns.

A Importância de Conhecer o Próprio Corpo

May, hoje na casa dos 50 anos e uma renomada especialista em papercraft na Austrália, utiliza sua plataforma artística para conscientizar sobre a importância de não ignorar os sinais do corpo. Ela enfatiza que o câncer não é uma doença que afeta apenas os outros e que o autoconhecimento é uma ferramenta poderosa na luta contra a doença. "Há tantas coisas que são simplesmente atribuídas a 'ser mulher'. Isso é besteira", afirma May. "Você realmente precisa saber o que é normal para o seu próprio corpo." Em 2013, May notou um sangramento de coloração vermelha viva que rapidamente se intensificou, algo incomum pois ela havia acabado de concluir seu ciclo menstrual normal. O episódio, que a fez passar uma "boa quantidade de absorventes por hora", a levou a procurar um médico. Após exames iniciais que indicaram perda sanguínea significativa, ela foi encaminhada para mais investigações.

Sintomas Sutis e Diagnóstico Precoce

A confiança de May de que o acompanhamento seria rotineiro a levou a levar o marido e a filha para a consulta. Sem histórico familiar de câncer e com uma vida ativa, um diagnóstico da doença nunca passou por sua mente. No entanto, ao receber os resultados, o médico informou sobre a descoberta de um cisto de seis centímetros no ovário esquerdo, com suspeita de ser cancerígeno. O diagnóstico inicial foi um choque avassalador. Surpreendentemente, May sentia-se em excelente forma física na época, o que torna a perda de peso — um sintoma precoce de câncer — ainda mais fácil de ser ignorada. Sem outros sinais comuns de câncer de ovário, como inchaço abdominal ou dor pélvica, a situação poderia ter sido facilmente subestimada. May acredita que confiar em sua intuição e buscar ajuda médica imediatamente foram cruciais. Nas duas semanas entre o exame e a primeira cirurgia, o tumor em seu ovário cresceu agressivamente, quase dobrando de tamanho. "Ao ouvir meu corpo e agir imediatamente, em vez de simplesmente ignorar, evitei que se tornasse estágio dois, três ou até quatro", relata.

Desafios do Tratamento e Recorrência

May precisou de uma cirurgia para remover o cisto, seguida por uma histerectomia radical. O processo de recuperação incluiu duas semanas de internação e meses de quimioterapia para reduzir o risco de células cancerígenas remanescentes. O tratamento foi árduo, com efeitos colaterais como perda de cabelo e um impacto significativo em sua saúde mental, levando a meses de depressão e ansiedade após a remissão. O câncer de ovário tem uma alta propensão a retornar após a remissão; alguns estudos estimam que até 70% dos pacientes experimentam recorrência. "Levou provavelmente quatro meses para que eu pudesse andar, dirigir sem assistência, voltar a viver", lembra May. Ela teve que cancelar compromissos de trabalho e se dedicar integralmente ao tratamento. Foi durante as sessões de quimioterapia, realizadas semanalmente, que May percebeu o quão atípico era seu caso, sendo significativamente mais jovem que a paciente média de câncer de ovário, que geralmente se encontra no início dos 60 anos.

Um Chamado à Conscientização

Ao longo da última década, casos de câncer de início precoce em diversas modalidades têm se tornado mais comuns. A advocacia pela conscientização tem ajudado May a lidar com as sequelas psicológicas de seu diagnóstico. Em seus workshops de artesanato, frequentados majoritariamente por mulheres, ela se sente confortável em compartilhar sua experiência de forma aberta, incentivando mulheres de todas as idades a conhecerem os sinais da doença. "Como mulheres, tendemos a colocar todo mundo antes de nós mesmas e ignoramos os sintomas", diz May. "A coisa que esquecemos é que não podemos cuidar de outras pessoas a menos que primeiro cuidemos de nós mesmas." A história de Natalie May reforça a mensagem de que a atenção aos detalhes e a busca por ajuda médica diante de sintomas incomuns são essenciais para um diagnóstico precoce e um prognóstico mais favorável.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider