A Multiplan, uma das maiores administradoras de shopping centers do país, concluiu a venda de uma participação minoritária em um de seus principais ativos. A companhia se desfez de 9,33% do ParkShoppingBarigüi, em Curitiba, por R$ 250 milhões. Com a transação, a Multiplan passa a deter 84% do empreendimento.
O movimento, embora envolva uma fatia pequena, é estrategicamente relevante. Trata-se de uma operação de reciclagem de capital, prática comum no setor imobiliário para monetizar ativos maduros e financiar novos projetos ou reduzir dívidas. O que chama a atenção, no entanto, é a estrutura de pagamento: o valor será recebido em duas parcelas, em 2026 e 2028, corrigidas pelo IPCA. Não é uma injeção de caixa imediata, mas uma forma de cristalizar valor em um dos ativos-joia de seu portfólio.
Reciclagem em um ativo 'troféu'
O ParkShoppingBarigüi não é um shopping qualquer. É considerado um ativo "troféu", de alta performance e localizado em uma praça resiliente. Vender uma pequena parte dele, sem abrir mão do controle, é um movimento calculado. A transação estabelece um valuation implícito de aproximadamente R$ 2,7 bilhões para o shopping, um número que serve de baliza para o mercado em um momento de juros ainda elevados.
A estrutura de pagamento a prazo, com correção pela inflação, sugere um acordo com um comprador de perfil paciente, possivelmente um parceiro já existente ou um investidor institucional com visão de longo prazo. Para a Multiplan, a operação garante o reconhecimento de um valuation atrativo agora, mas posterga a entrada de caixa, indicando que a empresa não tem uma necessidade urgente de liquidez. É uma aposta na valorização futura do ativo, ao mesmo tempo em que se trava um preço considerado vantajoso.
O que o movimento sinaliza
Para o setor de shoppings, a transação da Multiplan é um sinal de confiança. Mesmo em um cenário de juros que pressiona o custo de capital, existe apetite por participações em ativos de primeira linha. A operação demonstra que há liquidez para fatias minoritárias de empreendimentos premium, ainda que com condições de pagamento alongadas.
O movimento da Multiplan pode ser lido como uma otimização de balanço. A empresa realiza parte do ganho de capital de um ativo que já maturou, liberando recursos que, no futuro, podem ser alocados em projetos com maior potencial de crescimento, como expansões ou novos desenvolvimentos. É uma gestão de portfólio clássica, executada com a disciplina que o mercado espera da companhia.
A questão que fica no ar é se outros players seguirão o mesmo caminho, testando o mercado com vendas parciais de seus melhores ativos para financiar a próxima onda de crescimento. A transação do Barigüi, embora pequena em percentual, pode se tornar um importante precedente para a estratégia de alocação de capital no setor imobiliário brasileiro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





