Em um movimento que une conservação ambiental e inovação agrícola, uma empresa em Vigo, na Galícia, está explorando o potencial dos morcegos como aliados na proteção de cultivos florestais. O projeto, executado pela consultora Arcea Xestión de Recursos Naturais, visa reintroduzir e proteger essas criaturas em áreas de exploração madeireira, transformando um animal historicamente estigmatizado em um agente de controle de pragas natural e eficiente.
O Retorno dos Morcegos à Gestão Florestal
Os morcegos, apesar de sua má fama, desempenham um papel ecológico crucial. Eles são predadores vorazes de insetos, incluindo aqueles que causam danos significativos a plantações florestais e transmitem doenças. No entanto, as práticas de manejo florestal modernas, com ciclos de corte curtos e paisagens uniformizadas, têm reduzido drasticamente os habitats adequados para essas espécies. A Arcea Xestión, com o apoio da Ence através de seu programa de responsabilidade social corporativa, está implementando um projeto piloto em 2026 para reverter essa tendência. A iniciativa inclui a construção de refúgios, corredores de deslocamento, bebedouros e zonas de alimentação para atrair e sustentar populações de morcegos em montes de exploração madeireira.
Bioeconomia e Controle de Pragas Natural
A estratégia se insere no campo da bioeconomia, utilizando recursos biológicos para gerar valor econômico de forma sustentável. Ao criar um ambiente propício para os morcegos, o projeto não só contribui para a conservação de pelo menos 11 espécies de quirópteros protegidas na Europa, mas também oferece uma solução ecológica para o controle de pragas. A redução na população de insetos danosos pode diminuir a necessidade de pesticidas químicos, com benefícios ambientais e econômicos para as plantações. A iniciativa também busca educar e engajar as comunidades locais e gestores florestais sobre a importância desses animais, desmistificando preconceitos e promovendo uma coexistência harmoniosa.
Desafios e Perspectivas
Um dos principais desafios é a dificuldade em quantificar as populações de morcegos, já que muitas espécies não se agrupam em colônias visíveis. O projeto aborda isso com um plano de duas frentes: pesquisa documental para entender os requisitos ecológicos de cada espécie e ações de campo, como catalogação, monitoramento acústico e mapeamento de habitats em áreas como Ponte Caldelas e Cercedo-Cotobade. A aceitação e implementação dessas medidas pela gestão florestal, mesmo com o financiamento corporativo, dependerão da demonstração de viabilidade econômica e operacional. Se bem-sucedido, o projeto em Vigo pode servir de modelo para outras regiões que buscam soluções inovadoras e sustentáveis para a proteção de cultivos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





