O Design Museum Gent, na Bélgica, celebrou a conclusão de sua ambiciosa renovação com a inauguração de uma nova ala, projetada para integrar e expandir suas instalações. O projeto, liderado pelos estúdios Carmody Groarke, Atama e Re-st, introduziu um volume geométrico notável, revestido por tijolos brancos inovadores, produzidos a partir de resíduos de construção locais. Essa intervenção não apenas revitaliza a estrutura histórica do museu, mas também o consolida como o maior museu de design da Bélgica, com uma área total de 8.600 metros quadrados.

Um Novo Centro para o Design em Ghent

A expansão de 2.200 metros quadrados foi concebida para servir como a "peça final do sítio do museu", unificando espaços anteriormente desconexos e completando o percurso do visitante. A nova estrutura se insere atrás de uma parte da fachada histórica, emoldurando um pátio renovado e conectando-se a uma das alas antigas. A equipe de arquitetura buscou inspiração nas casas tradicionais com telhados em empena de Ghent, resultando em um perfil inclinado e no uso de tijolos de calcário. Esses tijolos, cujas dimensões ecoam as do vizinho Hotel de Coninck, foram produzidos com um processo de cura a cal de baixa energia, utilizando resíduos de construção locais. Em colaboração com especialistas em economia circular e fabricantes de materiais, os tijolos de resíduos carregam um terço do carbono incorporado de um tijolo de argila belga típico, alinhando o projeto aos princípios da sustentabilidade.

Arquitetura Sustentável e Funcionalidade Expandida

O exterior da nova ala é marcado por aberturas envidraçadas de formato retangular, incluindo uma entrada principal com uma porta de alumínio impressa em 3D. A estrutura de seis andares abriga, no térreo, uma recepção e loja, com degraus que conduzem ao pátio. O programa do edifício foi organizado em zonas distintas: os andares inferiores são dedicados a espaços de exposição e um auditório, enquanto os andares intermediários abrigam áreas educativas. O topo do edifício é coroado por um espaço para eventos, com amplas janelas que oferecem vistas panorâmicas da cidade. Uma área para manuseio de arte está localizada no subsolo. O interior da extensão destaca a estrutura de madeira exposta, combinada com paredes brancas e pisos de madeira, criando um ambiente acolhedor e moderno. Mobiliário e elementos de design bio-baseados, de criativos belgas, também compõem o espaço.

Implicações para o Setor Cultural e a Conexão Brasileira

A renovação do Design Museum Gent representa um marco para o setor cultural belga, não apenas pela sua escala, mas também pela sua abordagem inovadora em termos de sustentabilidade e design. A incorporação de materiais reciclados e a busca por baixo carbono em construções culturais sinalizam uma tendência crescente na indústria. Para o Brasil, um país com vasta produção de resíduos de construção e uma crescente demanda por práticas sustentáveis na arquitetura, o projeto belga oferece um modelo inspirador. A adaptação de técnicas similares, considerando as especificidades locais, poderia impulsionar a economia circular no setor da construção e agregar valor a espaços culturais e museus. A ampliação de áreas educativas e expositivas também reforça o papel do museu como um centro de aprendizado e intercâmbio cultural.

Perguntas em Aberto e o Futuro do Design Museológico

A reabertura do Design Museum Gent levanta questões sobre como outros museus podem seguir o exemplo em termos de sustentabilidade e integração de espaços. A capacidade de unir o histórico com o contemporâneo, utilizando materiais inovadores, estabelece um novo padrão. Será interessante observar como a nova ala impactará a visitação e a programação do museu a longo prazo, e se a abordagem de design circular se tornará um requisito comum em futuras renovações e construções de instituições culturais. A experiência do visitante, agora mais fluida e enriquecida, é um testemunho do sucesso da intervenção.

A reconfiguração do museu em Ghent não é apenas uma expansão física, mas uma redefinição do espaço para o design, promovendo a sustentabilidade e a acessibilidade. A iniciativa belga serve como um farol para o futuro da arquitetura museológica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen