O Museu de Arte de Milwaukee, em Wisconsin, concluiu esta semana a devolução de duas jarras de grés do século XIX, obras do renomado ceramista afro-americano David Drake, aos descendentes do artista. O acordo de transferência de propriedade permite que os valiosos artefatos permaneçam em exibição de longo prazo, honrando a memória e o legado de Drake.

As jarras, conhecidas pela maestria cerâmica e pelas inscrições com o nome do artista e breves poemas, ganham um significado ainda maior por terem sido criadas em um período no sul dos Estados Unidos em que a alfabetização de pessoas negras era criminalizada. "Para nossa família, este acordo é sobre mais do que a posse dessas duas embarcações", afirmaram os descendentes de Drake em comunicado. "É sobre reconhecer David Drake como nosso ancestral cuja voz, expertise e criatividade perduraram por mais de 175 anos."

David Drake, conhecido como "Dave the Potter", nasceu em escravidão por volta de 1801, em uma plantação nas Carolinas. Pouco se sabe sobre sua juventude, mas registros indicam que, ainda adolescente, foi levado para trabalhar em um negócio de cerâmica em Edgefield, Carolina do Sul, um importante centro de produção na região. Lá, Drake se destacou como um mestre oleiro, conhecido por produzir peças de grande porte. O que torna sua obra ainda mais notável é o fato de que ele aprendeu a ler e escrever clandestinamente, um ato de grande risco em uma sociedade que proibia a alfabetização de afro-americanos, escravizados ou livres, através do "Negro Act" de 1740. A lei também impunha punições severas, incluindo corporais e até letais, para quem infringisse suas normas, além de proibir a posse de dinheiro próprio ou a movimentação para o exterior.

Apesar das severas restrições, Drake exerceu sua agência e individualidade ao gravar seu nome em suas peças e demonstrar sua habilidade autoral com a criação de dísticos rimados. A devolução dessas peças a seus descendentes representa um passo importante no reconhecimento da justiça histórica e na reparação de injustiças passadas, permitindo que a voz e a arte de um homem escravizado ressoem através dos séculos.

Com reportagem de Brazil Valley

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