Elon Musk, fundador da SpaceX e Tesla, anunciou uma mudança de nome para sua recém-formada divisão de inteligência artificial, que passará a se chamar SpaceXSI, abandonando o acrônimo "AI" por "SI", que significa "Super Inteligência". A decisão, comunicada através de uma postagem na rede social X, surge logo após uma sugestão do ex-presidente Donald Trump, que propôs a líderes de tecnologia do Vale do Silício a adoção do termo "super inteligência" em detrimento de "inteligência artificial", por considerá-lo menos "fake".
Trump teria feito a observação sobre a artificialidade da IA após um jantar com o presidente chinês Xi Jinping, que, segundo o ex-presidente, "pareceu" gostar do termo. A mudança de Musk, portanto, não é apenas uma decisão de marketing isolada, mas também pode ser vista como um sinal de alinhamento com a retórica política de Trump.
A ideia de "super inteligência" não é nova para Musk. Ele já havia discutido o conceito em 2014, referenciando o livro "Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies" de Nick Bostrom. Na obra, Bostrom explora o potencial da inteligência artificial em se tornar uma "inteligência digital recursiva" capaz de superar a capacidade humana. Na época, Musk expressou preocupação em seu perfil no Twitter (agora X), afirmando: "Espero que não sejamos apenas o boot loader biológico para a superinteligência digital. Infelizmente, isso é cada vez mais provável". Bostrom, inclusive, colaborou com Musk para o livro, agradecendo-o nos agradecimentos.
Esta reestruturação ocorre apenas três meses após Musk integrar sua startup xAI à SpaceX, resultando no lançamento da marca SpaceXAI em janeiro de 2026. A absorção da xAI como subsidiária gerou um logotipo composto criticado, que fundia um "AI" inclinado e condensado sob o rastro do foguete do logo principal da SpaceX — um design que, segundo a publicação, nem mesmo o chatbot Grok, desenvolvido pela xAI, aprovou.
A percepção pública sobre a "IA" tem sido cada vez mais negativa, associada a preocupações como perda de empregos, alto consumo de energia e água, e a proliferação de conteúdo de baixa qualidade. A substituição de "AI" por "SI" pode ser vista como uma tentativa de lavar a imagem da tecnologia. Enquanto "artificial" pode evocar a ideia de falsidade ou algo sem substância, "super" sugere potencial ilimitado. Lideranças do setor tecnológico parecem reconhecer o cansaço do público com o termo "AI", optando por "SI" como uma alternativa mais atrativa.
O movimento de Musk oferece uma vantagem clara: a eliminação de um logotipo problemático. Resta saber se a inserção de "SI" sob o rastro do foguete resultará em um design mais agradável, embora seja difícil imaginar algo pior do que o atual "frankenlogo" da SpaceXAI. A decisão, contudo, vai além do design, sinalizando uma estratégia de comunicação que busca dissociar a tecnologia de suas conotações negativas, alinhando-se, ao mesmo tempo, a uma narrativa política específica.
A aposta de Musk em "super inteligência" pode ser interpretada como um movimento de marketing astuto, capitalizando sobre a insatisfação pública com a "inteligência artificial" e alinhando-se a uma figura política influente. A questão central que permanece é se essa mudança de nomenclatura, impulsionada por fatores políticos e de percepção pública, conseguirá realmente mudar a forma como a tecnologia é vista e utilizada, ou se é apenas uma tentativa superficial de renomear um conceito com bagagem negativa.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company Design





