Mesmo com a volatilidade do minério de ferro, a Vale (VALE3) segue com prestígio entre os grandes bancos de investimento. Relatórios recentes do BTG Pactual e do Itaú BBA reiteraram a recomendação de compra para as ações da mineradora, com preços-alvo que apontam para um potencial de valorização em torno de 30%. O racional, contudo, ganha uma nova nuance.

A tese que emerge é que o futuro da Vale não será mais medido apenas em toneladas de minério. O cobre, metal essencial para a transição energética, está se consolidando como o principal vetor de crescimento e uma aposta estratégica para destravar um valor que, segundo os analistas, o mercado ainda não precificou.

O pivô para os metais básicos

A confiança dos bancos na estratégia da Vale se ancora na execução. A companhia está acelerando o cronograma de projetos cruciais de cobre, como Bacaba, agora previsto para o terceiro trimestre de 2027, e a expansão de Salobo, antecipada para o primeiro semestre de 2028. O objetivo é ambicioso: superar a meta de produção de 700 mil toneladas anuais até 2035, posicionando a Vale como um player relevante no fornecimento de um insumo crítico para eletrificação e energias renováveis.

Essa corrida, no entanto, não é livre de obstáculos. O principal gargalo, admitido pela própria gestão, continua sendo o complexo e demorado processo de licenciamento ambiental. A capacidade da empresa de navegar essa burocracia será determinante para que o potencial do cobre se converta em fluxo de caixa e, consequentemente, em valor para o acionista.

Disciplina de capital e o peso do minério

O avanço sobre o cobre não significa um cheque em branco para novos gastos. Segundo o BTG Pactual, a Vale mantém uma estrita disciplina de capital, sem planos para grandes aquisições ou projetos greenfield. O foco é otimizar os ativos existentes. Essa sobriedade agrada o mercado, que vê o minério de ferro ainda como a principal fonte de geração de caixa, financiando tanto os dividendos quanto a expansão em metais básicos.

Por ora, uma oferta pública inicial (IPO) da Vale Base Metals, a divisão que concentra esses ativos, está descartada. Da mesma forma, dividendos extraordinários seguem atrelados ao desempenho do minério de ferro, que precisa se manter próximo de US$ 100 por tonelada para viabilizar pagamentos adicionais. A leitura é que, embora o cobre represente o crescimento futuro, o presente da Vale ainda é forjado em minério.

A questão que fica para o investidor é se a narrativa do cobre será suficiente para dissociar, ao menos parcialmente, a percepção de valor da Vale das oscilações do mercado chinês. Os analistas acreditam que sim, mas a execução dos projetos e a disciplina financeira serão a prova final de que a gigante brasileira pode, de fato, ter um futuro com mais cores do que apenas o ocre de Carajás.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times