A NASA decidiu trocar o foguete para sua missão científica SunRISE, transferindo o lançamento de um Vulcan Centaur, da United Launch Alliance (ULA), para um Falcon Heavy, da SpaceX. A missão, um conjunto de seis satélites para estudar o Sol, voará como carga secundária ("rideshare") em um lançamento patrocinado pelo Comando de Sistemas Espaciais da Força Espacial dos EUA.
A mudança não é trivial. Ela ocorre após uma anomalia em um foguete Vulcan em fevereiro, que, embora tenha entregue sua carga à órbita, apresentou uma falha em um de seus propulsores. Segundo reportagem do The Register, o incidente levou a Força Espacial a suspender todos os lançamentos de segurança nacional no Vulcan, deixando a missão SunRISE sem data definida e forçando a NASA a buscar uma alternativa mais confiável no curto prazo.
O custo de uma falha
O problema para a ULA, uma joint venture entre Boeing e Lockheed Martin, foi sério o suficiente para abalar a confiança de seu principal cliente governamental. Durante o quarto voo do Vulcan Centaur, um bocal de um dos propulsores de combustível sólido (SRB) sofreu um superaquecimento, um incidente grave para um veículo que ambiciona ser o principal lançador para missões críticas de segurança nacional dos EUA.
A consequência imediata foi a paralisação dos voos do Vulcan para cargas militares até que a investigação seja concluída. Para a missão SunRISE, que já havia completado seus testes pré-lançamento no início de 2026 e aguardava uma janela neste verão, a decisão da Força Espacial representou um impasse. A troca para o Falcon Heavy é, portanto, uma manobra pragmática para mitigar o risco de atrasos ainda maiores.
SpaceX como porto seguro
A escolha da SpaceX não surpreende. O Falcon Heavy se consolidou como um veículo de alta capacidade e confiabilidade comprovada. Com dois outros grandes lançamentos previstos para o restante de 2026 — o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman e a missão Griffin da Astrobotic —, a SpaceX demonstra um ritmo operacional que a ULA ainda busca alcançar com seu novo foguete.
Ainda que a NASA não tenha confirmado uma nova data, a expectativa é que o SunRISE pegue carona em uma das missões da Força Espacial planejadas para 2027. O atraso, contudo, tem um custo para a ciência. A missão SunRISE (Sun Radio Interferometer Space Experiment) consiste em seis pequenos satélites que funcionarão como um único e gigantesco radiotelescópio para mapear rajadas de rádio associadas a tempestades solares.
Os satélites, construídos em 2023, aguardam em solo enquanto a logística de lançamento é refeita. O episódio ilustra uma verdade no mercado espacial: a inovação em foguetes é crucial, mas a confiabilidade operacional é o que, no fim do dia, garante os contratos e permite que a ciência avance. Para a ULA, a falha do Vulcan serve como um lembrete caro do que está em jogo na competição com a SpaceX.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register


