Os acionistas controladores da Natura &Co, detentores de 38,82% do capital, solicitaram a convocação de assembleias para uma decisão que pode redefinir o futuro da governança da companhia. Sobre a mesa está um pedido para dispensar a realização de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), movimento atrelado a um acordo de investimento vinculante com a gestora de private equity Advent International, que já possui 8% da empresa.

A manobra, reportada em fato relevante, é mais do que um mero trâmite de mercado de capitais. É um movimento estratégico para cimentar a aliança com a Advent, trazendo sua expertise para o centro decisório da Natura de forma ágil. A proposta inclui a eleição de dois novos membros para o conselho de administração, indicando que a influência da gestora será exercida diretamente na supervisão da estratégia.

A Arquitetura do Acordo

Uma OPA é um mecanismo de proteção a acionistas minoritários. Ela é geralmente exigida quando há uma mudança relevante no bloco de controle de uma companhia, garantindo aos demais sócios o direito de vender suas ações por um preço pré-definido. Ao pedir a dispensa (o chamado waiver), os controladores e a Advent buscam formalizar sua atuação conjunta sem passar pelo processo, mais custoso e complexo, de uma oferta generalizada.

A leitura aqui é que o acordo visa criar um novo pacto de acionistas, alinhando os interesses dos fundadores com o músculo financeiro e a experiência em reestruturação da Advent. Para a gestora, é a chance de influenciar ativamente os rumos de um ativo estratégico em seu portfólio. Para os controladores, é uma forma de trazer um parceiro de peso para acelerar o turnaround da companhia, que vem de um intenso processo de desinvestimentos, como as vendas da Aesop e da The Body Shop.

O Sinal para o Mercado

O pedido de dispensa envia um sinal claro: a gestão reconhece a necessidade de um choque de pragmatismo e disciplina de capital. A Advent é conhecida por sua abordagem rigorosa na otimização de operações e alocação de recursos, qualidades essenciais para a fase atual da Natura. A eleição de dois novos conselheiros formaliza essa colaboração no mais alto nível de governança.

A decisão final, contudo, caberá aos acionistas reunidos em assembleia. A aprovação do waiver será um voto de confiança na tese de que a aliança com a Advent, nestes termos, é o melhor caminho para a criação de valor a longo prazo. Uma eventual rejeição, por outro lado, poderia complicar a parceria e forçar as partes a renegociar os termos de seu alinhamento estratégico.

O mercado observará atentamente o desfecho. O que está em jogo não é apenas um ajuste societário, mas a definição do modelo de governança que guiará a Natura em seu próximo ciclo de crescimento, agora mais enxuta e focada em suas operações na América Latina.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times