A NBA se consolida como um gigante do esporte e do entretenimento, com suas franquias atingindo patamares de valorização estratosféricos. Em 2026, a lista dos times mais valiosos, compilada pela Forbes, revela um cenário de crescimento robusto, onde os Golden State Warriors lideram com US$ 13,5 bilhões, seguidos de perto pelos New York Knicks (US$ 12,6 bilhões) e Los Angeles Lakers (US$ 12,5 bilhões). Este aumento vertiginoso é alimentado por um mercado de aquisição e venda de franquias aquecido, com transações recentes que demonstram um retorno anual sobre o investimento impressionante, superando os 25% em alguns casos. O cenário é tão favorável que apenas duas outras equipes esportivas no mundo — os Dallas Cowboys e os Los Angeles Rams da NFL — se aproximam do valor dos três primeiros clubes da liga de basquete.
A dinâmica recente de venda de participações em franquias, como no caso dos Minnesota Timberwolves, exemplifica o apetite dos investidores. Negociações como a de Marc Stad para vender sua fatia na equipe devem gerar lucros significativos se aprovadas, consolidando a tendência de alta. A valorização média de uma franquia da NBA agora ultrapassa os US$ 6,1 bilhões, um salto de 147% desde 2021. Esse crescimento é sustentado por um modelo de negócios sólido, com a liga projetando receitas próximas a US$ 14 bilhões para a temporada 2025-26, impulsionadas pelo novo contrato de transmissão nacional de US$ 76 bilhões.
O Motor da Valorização: Novos Contratos e Vendas Lucrativas
O mercado de franquias da NBA tem se mostrado excepcionalmente ativo, com várias vendas ocorrendo nos últimos quatro anos. A transação dos Portland Trail Blazers, por exemplo, foi fechada em abril com uma avaliação próxima a US$ 4,25 bilhões. Paralelamente, o interesse em participações minoritárias também cresce, como evidenciado pelo acordo da Blue Owl para adquirir uma fatia dos Cleveland Cavaliers por US$ 5,5 bilhões. Esses movimentos sinalizam uma confiança robusta no crescimento contínuo da NBA, que se beneficia não apenas de sua forte base de fãs nos EUA, mas também de sua expansão global, com novos acordes de transmissão em mercados estratégicos como Filipinas e Oriente Médio.
A atratividade da liga para investidores é reforçada pelo seu múltiplo de valor em relação à receita, que agora se situa em 13,1x, superando ligas como NHL, MLS e MLB. Mesmo em comparação com ligas em ascensão como a WNBA e NWSL, a NBA mantém uma posição de destaque, aproximando-se apenas da NFL. Essa valorização, contudo, não é uniforme, com os Lakers e Knicks apresentando múltiplos significativamente mais altos, indicando oportunidades financeiras distintas entre as franquias.
A Sombra sobre a Mídia Local: Redes Regionais em Crise
Apesar do otimismo geral, um ponto de preocupação emerge no horizonte da NBA: o colapso das redes regionais de transmissão esportiva (RSNs). A recente falência de uma grande operadora de RSNs deixou 16 equipes da liga sem sua cobertura televisiva local anterior, ameaçando dezenas de milhões de dólares em receitas anuais. Estimativas indicam que esses clubes viram suas receitas de direitos de transmissão locais caírem de uma média de US$ 40 milhões em 2023-24 para cerca de US$ 13 milhões na temporada 2025-26. Essa instabilidade forçou as equipes a buscar alternativas às pressas, incluindo a possibilidade de empacotar direitos de transmissão em plataformas de streaming a partir da temporada 2027-28.
A liga reconhece a gravidade da situação, tendo contratado Matt Volk, ex-executivo da NESN, para liderar uma nova área de mídia local. A estratégia de streaming visa mitigar o impacto da crise nas RSNs e manter o fluxo de receita. Enquanto isso, outras fontes de receita, como patrocínios e publicidade, continuam a crescer, com um aumento interanual de 14%. A assistência aos jogos também se mantém forte, com a liga atingindo 97% da capacidade de seus estádios em quatro ocasiões históricas.
Expansão e Novos Mercados: O Futuro da NBA
Olhando para o futuro, a NBA explora ativamente oportunidades de expansão, com potencial interesse em novas franquias em Las Vegas e Seattle. As propostas para Las Vegas já chegam a valores impressionantes, podendo ultrapassar os US$ 9 a US$ 10 bilhões, sem contar o custo de um novo estádio. Além disso, a liga busca expandir sua presença global, com a venda de franquias em sua Liga Africana de Basquete e o lançamento de uma nova liga europeia, que podem gerar taxas de expansão adicionais e fortalecer o ecossistema de talentos esportivos intercontinental.
A estratégia de globalização da NBA, com foco em mercados como Ásia Oriental e América Latina, já se reflete na origem da maioria de seus fãs e no consumo de conteúdo. A liga busca capitalizar essa presença internacional para impulsionar ainda mais o crescimento e a valorização de suas franquias. A construção de novos estádios por quatro equipes e a renovação de outras instalações também contribuem para a expectativa de aumento de receita e valorização.
Apesar das preocupações com a mídia local, a trajetória da NBA aponta para um futuro de crescimento contínuo. A capacidade da liga de inovar em seus modelos de negócios, seja através de novos contratos de transmissão, expansão para novos mercados ou desenvolvimento de plataformas digitais, sugere que a valorização de suas franquias deve persistir. A questão central, no entanto, reside na forma como a liga e suas equipes conseguirão navegar a complexa transição do modelo tradicional de mídia local para um ecossistema de distribuição de conteúdo mais fragmentado e digital, sem comprometer a sustentabilidade de suas receitas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





