O neoliberalismo, como termo político, parece ter chegado ao fim de sua jornada. Em todo o mundo, tanto a esquerda quanto a direita populistas têm rejeitado suas premissas, transformando-o em uma palavra sem significado claro, uma espécie de fantasma que assombra o debate econômico. No entanto, as políticas de mercado que ele historicamente defendeu — a crença de que os mercados funcionam melhor do que os governos, com uma regulação limitada do capital e da distribuição de riqueza — continuam a moldar as principais economias globais.

Essa não é uma declaração de fim para a livre iniciativa, um conceito que ainda goza de forte apoio popular, especialmente nos Estados Unidos. Em vez disso, é um reconhecimento de que a própria palavra 'neoliberalismo' se tornou um obstáculo para uma discussão genuína sobre o papel dos mercados e do governo. A confusão é palpável: ninguém parece concordar com seu significado. Para alguns, é a defesa dos mercados sobre o Estado; para outros, é um rótulo pejorativo para tudo o que se associa ao capitalismo global — bilionários, tecnocratas, Silicon Valley, imigração, e até mesmo figuras políticas como Pete Buttigieg. Essa indefinição o transforma em uma 'palavra zumbi', um termo acadêmico e midiático, descolado da realidade vivida pelas pessoas.

O problema se agrava pelo fato de ninguém se identificar ativamente como neoliberal. Existem socialistas, libertários, progressistas e conservadores, mas onde estão os neoliberais marchando nas ruas? Assim como o neoconservadorismo, é um rótulo que circula em universidades, centros de pesquisa e na mídia, mas que não encontra eco na vida cotidiana. A própria natureza da palavra, com seu prefixo 'neo' (novo) e a polissemia de 'liberalismo', contribui para a confusão. O que exatamente significa 'novo liberalismo'? A ambiguidade é tão grande que a palavra se torna inútil para descrever posições políticas ou econômicas concretas.

Quando a esquerda populista usa o termo, geralmente se refere a preços altos, poder corporativo e desigualdade. A direita populista, por sua vez, o associa a acordos comerciais desfavoráveis, mão de obra imigrante ou a um suposto domínio de tecnocratas. Um exemplo claro é a França, onde Emmanuel Macron, outrora visto como o rosto do neoliberalismo francês, deixou o cargo impopular, com eleitores buscando alternativas na extrema esquerda e na direita. Até mesmo figuras como Mark Carney, ex-governador do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra, foram rotulados como neoliberais pela esquerda, apesar de seus esforços em defender a livre iniciativa.

O que, então, não é neoliberalismo? A livre empresa. Pesquisas como a da Gallup mostram que uma vasta maioria de americanos (77%) tem uma visão favorável da livre empresa, enquanto apenas 55% dizem o mesmo do capitalismo. Essa diferença sugere uma distinção clara na mente do público: o apoio à iniciativa livre e à inovação, em contraste com uma visão mais cética do sistema capitalista em si. Entre os democratas, essa distinção é ainda mais acentuada: 65% veem tanto o socialismo quanto a livre empresa de forma positiva, mas apenas 35% têm a mesma visão sobre o capitalismo. Eles não veem socialismo e livre empresa como mutuamente exclusivos. O poder das grandes empresas, por outro lado, recebe apenas 35% de aprovação, atrás do socialismo (43%). O pequeno negócio, contudo, alcança impressionantes 95% de aprovação.

Esses números indicam que a objeção real do público não é à atividade empresarial em si, mas ao poder corporativo excessivo. A conclusão da Gallup é que os dados não apontam para um "movimento em massa contra os mercados e em direção ao socialismo". Tanto o socialismo quanto o neoliberalismo compartilham um problema de marca. Muitos americanos apoiam políticas associadas ao socialismo, como a expansão da cobertura de saúde, mas a maioria se opõe ao socialismo como sistema econômico. Embora o capitalismo tenha perdido um pouco de popularidade nos últimos anos, ele ainda é associado à escolha, inovação e progresso pessoal. São as políticas associadas ao neoliberalismo, como a desregulamentação e os acordos de livre comércio, que definiram o auge do termo nos anos Reagan-Thatcher e Clinton-Blair, que agora são vistas com desconfiança.

Diante dessa confusão, a pergunta que permanece é: o que os americanos realmente querem? Não são socialistas de closet, nem neoliberais. São, talvez, 'balançadores econômicos', que buscam o melhor de diferentes sistemas. O vocabulário político está desatualizado, e o termo neoliberalismo se tornou um pejorativo, uma forma de sinalizar desaprovação sem especificar o quê ou por quê. Há questões políticas reais que precisam de respostas: os americanos desejam livre empresa com mais salvaguardas, um estado de bem-estar social ao estilo nórdico, ou uma indústria dirigida pelo Estado? Quão abertos devem ser os acordos comerciais? Essas são escolhas que os eleitores podem debater, mas não podem fazê-lo com um termo que significa coisas tão distintas para grupos diferentes. A saída, portanto, é falar com clareza: se a crítica é ao poder corporativo, que se chame pelo nome. Se há oposição a certos tipos de visto ou a centros de dados, que se expliquem os motivos. Se o desejo é por melhor saúde, que se defenda essa proposta. As políticas neoliberais, independentemente do nome que carregam, continuarão a existir. Mesmo que alguns americanos olhem com nostalgia para países com generosos estados de bem-estar social, como Canadá e Europa Ocidental, é crucial lembrar que essas nações operam com economias de mercado e considerável iniciativa privada. Onde, exatamente, reside esse mundo 'sem mercado' que tantos parecem buscar?

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune