O Bradesco está colhendo frutos de sua aposta em inteligência artificial, com ganhos de produtividade que chegam a ser 20 vezes maiores em tarefas específicas. Em apresentação no Febraban Tech, executivos do banco detalharam como a implementação de agentes de IA, suportada por uma plataforma interna, está otimizando desde o atendimento ao cliente até processos de desenvolvimento.

Mais do que uma corrida tecnológica, a leitura é que a estratégia do banco se ancora em uma tese pragmática, verbalizada por um de seus executivos: “IA só por IA é custo”. A abordagem parece ser a de construir uma infraestrutura robusta e com governança clara para, só então, plugar os agentes autônomos em sistemas críticos e extrair valor mensurável.

A plataforma como sistema nervoso

No centro da operação está a “Bridge”, uma plataforma de IA proprietária que, segundo a CTO Cíntia Barcelos, foi capaz de reduzir cronogramas de meses para semanas. Ela funciona como a espinha dorsal para o desenvolvimento e a escalabilidade das soluções. Outra ferramenta, a “AI Apps”, foca em otimizar processos internos, liberando as equipes para tarefas de maior valor.

Os resultados aparecem nos números. A “b.ia Clientes”, que atua como concierge digital no WhatsApp e no app, alcança uma taxa de 88% de resolutividade. No front corporativo, a automação permitiu um crescimento médio de 20% a 40% na produtividade, com picos de até 90% em atividades pontuais. Segundo o banco, entre 14% e 30% dos times de tecnologia já dedicam parte de seu tempo ao uso de IA para acelerar entregas.

Automação com governança

O mantra que ecoou na apresentação, no entanto, foi o da disciplina. Nelson Borges, Superintendente Sênior de TI, ressaltou que a automação sem um legado consolidado e o fator humano representa um gargalo. A visão é que a IA precisa de um “sistema nervoso” para funcionar, composto por governança, conhecimento de dados, observabilidade e identidade dos agentes.

Um caso prático ilustra a tese. Francisco Di Marcello, CIO do banco, citou a automatização da leitura de documentos em uma empresa parceira. O resultado foi um aumento de 95% na produtividade, uma redução de 78 horas na jornada de trabalho e um salto no volume de documentos processados de cerca de 40 para mais de 500 por mês. O sucesso, segundo ele, vem de uma base de dados estruturada, guardrails de segurança e um foco em objetivos claros (OKRs).

Para o Bradesco, a implementação de IA parece ser menos sobre a busca por um salto tecnológico disruptivo e mais sobre a construção de uma máquina operacional eficiente e controlada. A lição para o mercado é que o verdadeiro diferencial competitivo pode não estar no algoritmo, mas na disciplina para integrá-lo ao negócio.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside