Diego Barreto, CEO do iFood, detalhou a estratégia de inteligência artificial da empresa que levou a uma redução de 40% nos custos de logística — um número expressivo para uma operação de alta complexidade. O palco foi o evento Impulso iFood 2026, mas a mensagem ecoa para todo o ecossistema de tecnologia.
A revelação, reportada pelo portal TIInside, oferece um vislumbre do playbook de uma das maiores empresas de tecnologia do Brasil. A tese central de Barreto é contraintuitiva na era da automação total: a tecnologia é um meio para potencializar pessoas, e o sucesso do negócio ainda reside na cultura e no julgamento humano.
A arquitetura por trás da eficiência
O primeiro avanço do iFood na área não veio de modelos generativos, mas de um trabalho de base iniciado no fim da década passada: a criação de uma infraestrutura de dados robusta. A empresa estabeleceu um data lake que hoje concentra 95% de suas informações sistêmicas sob um padrão único de linguagem e classificação. A disciplina é rígida: segundo Barreto, nenhum sistema entra em produção sem uma ingestão direta do data lake, garantindo a qualidade do insumo que alimenta os algoritmos.
A partir de 2021, a estratégia evoluiu. Com parcerias, incluindo com a OpenAI, e o desenvolvimento de uma plataforma proprietária, o iFood migrou de modelos de machine learning para o que o CEO chama de “agentes de IA”. A construção de um produto interno, embora exija um aprendizado intenso, teria garantido mais assertividade, privacidade e segurança, permitindo que mais de 20 mil desses agentes gerassem impacto operacional.
O humano no centro do algoritmo
Para o iFood, a eficiência da máquina tem um limite claro. Barreto argumenta que “os agentes de IA multiplicam só ação, mas não permitem multiplicar significado”. A tecnologia executa, mas o julgamento, que incorpora elementos não disponíveis em bases de dados, permanece estritamente humano. Essa filosofia se reflete na cultura: a empresa busca ativamente desenvolver o “julgamento crítico” em seus funcionários desde a contratação.
Isso implica uma mudança na organização do trabalho. O modelo hierárquico tradicional, onde a informação é centralizada, perde espaço. A lógica, segundo o CEO, é que a IA não preenche uma lacuna sozinha. “O gap só é preenchido pela IA quando ela executa o que você, sabiamente, dá para ela”, afirma. A tecnologia se torna uma ferramenta para ampliar a capacidade de decisão na ponta, não para concentrá-la.
A abordagem do iFood serve como um estudo de caso relevante. Em vez de uma corrida para substituir funções, a estratégia parece ser a de criar “copilotos” internos, onde a automação amplifica a capacidade humana de navegar em cenários complexos. A questão que fica é como essa cultura de julgamento crítico é construída e mantida em escala.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





