O pátio do MoMA PS1, no Queens, não é mais apenas um espaço de passagem. Pelos próximos dois anos, ele abrigará um jardim selvagem e, em seu centro, uma criatura de pelúcia com quase oito metros de comprimento. É um urso, mas também um convite: os visitantes podem subir em suas costas, ouvir a poesia da artista Precious Okoyomon e escorregar por um túnel vermelho-sangue, saindo pela boca da escultura. A peça, batizada de “The Pleasure Principle”, é o coração de uma instalação maior que repensa a experiência da arte.

Este playground sensorial é parte de “Among the Flowers I Learned to Love: A Garden of Decreation”, a maior obra externa de Okoyomon até hoje. A instalação é um ecossistema vivo, co-cultivado com um viveiro de Rhode Island, onde 1.500 plantas — espécies nativas e invasoras — crescem lado a lado. A inspiração vem do conceito de “des-criação” da filósofa Simone Weil: um ciclo constante de fazer e desfazer o mundo.

Um jardim de 'des-criação'

A obra não é um jardim ornamental, mas um laboratório. Ao forçar a convivência de espécies opostas, Okoyomon cria uma metáfora para realidades sociais e ambientais, explorando temas de adaptação e resiliência em um clima em mutação. A estética, que mistura o fofo e o inquietante, é uma marca da artista. O urso de pelúcia, um motivo recorrente em seu trabalho, não é apenas um brinquedo. Ele encarna o espaço entre os mundos interno e externo, um portal lúdico que, aqui, também digere e devolve o visitante ao mundo.

A experiência é interativa e transformadora. A instalação muda com as estações, com o crescimento das plantas e com a presença de polinizadores e do próprio público. Diferente de uma escultura estática em um pedestal, a obra de Okoyomon é um sistema dinâmico, um convite para participar da arte, não apenas observá-la. É a peça inaugural da série experimental Courtyard Commissions do museu, sinalizando uma aposta em formas de arte que respiram e evoluem.

Ao sair pela boca do urso, de volta ao jardim de espécies conflitantes, o visitante não retorna ao mesmo pátio de antes. A pergunta que fica não é sobre o que a obra significa, mas sobre o ambiente que ela cria. Em que tipo de ecossistema, afinal, acabamos de participar?

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Hypebeast