Uma nova startup, a Reservoir, acaba de levantar uma rodada semente de US$ 8 milhões para atacar um dos equipamentos mais ignorados e energeticamente ineficientes de uma residência: o aquecedor de água. Liderado pela Asymmetric Capital Partners, o aporte vai financiar a expansão de um produto que promete não apenas reduzir a conta de luz, mas transformar cada casa em um pequeno nó de uma rede de energia mais inteligente.

O insight por trás da Reservoir, fundada por veteranos da Apple, Blue Origin e Formlabs, é que o aquecedor de água médio é um aparelho 'burro' em um mundo de dispositivos conectados. Segundo reportagem da Fast Company, a inspiração do CEO Luke Winston-Almanzar veio de uma constatação pessoal: ele gastava mais energia para aquecer a água do chuveiro do que para carregar seu carro elétrico.

A inteligência por trás do vapor

A solução da Reservoir é um aquecedor com bomba de calor que aprende os hábitos dos moradores. O sistema prevê os horários de maior demanda por água quente e cruza essa informação com as tarifas da concessionária de energia. O aquecimento, então, é programado para os momentos em que a eletricidade é mais barata — tipicamente de madrugada. Para o usuário, a experiência não muda: a água está quente quando ele precisa. Para a rede elétrica, a diferença é substancial.

Essa otimização permite economias que podem chegar a US$ 800 por ano, segundo a empresa. Além do software, o hardware inclui funcionalidades como uma bomba de recirculação que pré-aquece os canos para evitar o desperdício de água enquanto se espera o chuveiro esquentar, e sensores ultrassônicos que detectam vazamentos em qualquer ponto do sistema hidráulico da casa.

Uma usina virtual, casa a casa

O ponto mais estratégico da tese da Reservoir, no entanto, é a visão de rede. Em escala, milhões desses aquecedores podem funcionar como uma gigantesca 'bateria térmica'. Eles podem absorver o excesso de energia renovável gerada em períodos de alta produção — como a solar ao meio-dia — e armazená-la na forma de água quente.

Essa capacidade de armazenamento distribuído ajuda a aliviar a pressão sobre a rede elétrica nos horários de pico, reduzindo a necessidade de acionar usinas termelétricas 'peaker', mais caras e poluentes. A ambição é criar uma usina de energia virtual e descentralizada. Nas palavras do CEO, se todos os aquecedores da região metropolitana de Boston fossem inteligentes, teriam a capacidade de uma usina nuclear, sem a necessidade de construir uma.

O capital recém-captado servirá para consolidar a operação em Boston e iniciar a expansão. O desafio da Reservoir não é apenas vender um eletrodoméstico mais eficiente, mas provar que a infraestrutura doméstica pode ser um componente ativo e valioso na transição energética.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company