O Peru e a Suíça deram início a uma nova etapa de cooperação técnica com um objetivo claro: fortalecer a capacidade de exportação das pequenas e médias empresas peruanas. O acordo foi selado entre o Ministério de Comércio Exterior e Turismo (Mincetur) do Peru e a Cooperação Suíça (SECO), braço da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos do país europeu.

A parceria, formalizada em reunião entre a vice-ministra de Comércio Exterior peruana, Sayuri Bayona, e diretores da SECO, busca desenhar melhores padrões comerciais e ampliar a presença de produtos peruanos em mercados internacionais. A leitura aqui é que o movimento representa uma busca por um atalho estratégico, importando o playbook de um país sinônimo de alta qualidade para resolver um gargalo estrutural da economia andina.

Modelo Suíço, Desafio Andino

Mais do que um simples aporte financeiro, a iniciativa se concentra em "assistência técnica", ou seja, na transferência de conhecimento e metodologia. Duas frentes de trabalho foram anunciadas: o projeto ‘SEN Boutique’, focado em consolidar políticas públicas e cadeias de valor, e o ‘SEN Consultancy’, que irá estabelecer uma metodologia para criar indicadores de facilitação comercial. São nomes de projeto que sinalizam uma abordagem cirúrgica.

Para o Peru, a aliança com a Suíça é emblemática. Em vez de buscar apenas acordos comerciais amplos, o país mira a qualificação de sua base produtiva. A expertise suíça em padrões de qualidade, logística e conformidade regulatória é um ativo valioso para PMEs que frequentemente esbarram nessas barreiras técnicas ao tentar acessar mercados desenvolvidos como o europeu. O objetivo não é apenas abrir portas, mas garantir que as empresas peruanas tenham a chave para atravessá-las.

Para Além das Commodities

O esforço peruano reflete um desafio comum à América Latina: a excessiva dependência da exportação de commodities. Ao capacitar PMEs, o governo busca diversificar sua pauta exportadora com produtos de maior valor agregado, que podem competir em nichos específicos. É uma aposta na microeconomia para gerar impacto macroeconômico, fortalecendo um tecido empresarial mais resiliente e dinâmico.

O modelo de cooperação pode servir de referência para outros países da região, incluindo o Brasil, que possui seus próprios programas de fomento à exportação, como os da Apex-Brasil. O foco em métricas e na criação de "indicadores da pesquisa de facilitação comercial" é particularmente relevante. Trata-se de uma abordagem pragmática, orientada a dados, para entender o que funciona e replicar as melhores práticas, uma marca da eficiência suíça aplicada a um desafio de desenvolvimento.

O sucesso da parceria não será medido em comunicados oficiais, mas no crescimento sustentado do volume e da qualidade das exportações das PMEs peruanas nos próximos anos. O acordo fornece o mapa e a bússola; a jornada, contudo, dependerá da execução e da articulação entre a burocracia estatal e a agilidade do setor privado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España