Quando se pensa em ativismo ambiental, a imagem que emerge é a de figuras como Greta Thunberg ou Jane Goodall — personalidades que, com razão, ocupam o imaginário coletivo e pautam o debate público. Seu papel é fundamental para iluminar o horizonte. Contudo, a transformação real da economia não acontece apenas nos palcos globais, mas também nos comitês de direção, nas reuniões com fornecedores e nos conselhos de administração.

Nesses espaços, um outro tipo de ativismo, mais silencioso e estratégico, ganha corpo. Conforme aponta uma análise da Forbes Espanha, são mulheres em posições de poder corporativo que estão operando como verdadeiras agentes de mudança, de dentro para fora. Elas não buscam os holofotes, mas exercem uma influência decisiva sobre os rumos de suas organizações, moldando a economia real, decisão por decisão.

A estratégia do poder interno

Este ativismo se manifesta de formas concretas e pragmáticas. É a diretora de sustentabilidade que, munida de dados, convence o comitê executivo a elevar as metas de eficiência energética. É a chefe de compras que exige critérios ESG de toda a sua cadeia de suprimentos, ou a CFO que direciona o capital da companhia para investimentos responsáveis. São empreendedoras que já nascem com a economia circular em seu DNA, provando que sustentabilidade é vantagem competitiva, não um custo.

Essa atuação, no entanto, é mais árdua por ser discreta. Exige navegar em estruturas de poder historicamente masculinas, construir credibilidade para uma agenda ainda vista como periférica por alguns e, principalmente, sustentar a ambição de longo prazo contra a tirania dos resultados trimestrais. É um trabalho de convicção que não depende de aplausos para se manter.

Progresso e lacunas

Os resultados dessa liderança interna já são mensuráveis. Um estudo do Pacto Mundial da ONU na Espanha, citado pela publicação, revela que 70% das empresas analisadas já adotaram políticas formais para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. O número sinaliza um avanço concreto, mostrando que a pauta ESG está, de fato, permeando a estratégia corporativa.

O mesmo relatório, porém, expõe a distância que ainda precisa ser percorrida. Cerca de 24% das companhias ainda não tomaram medidas para reduzir o consumo de combustíveis fósseis, e mais de 30% sequer têm um plano de adaptação climática. A estatística serve como um lembrete de que o progresso é desigual e a urgência, massiva.

Fica claro que a transição para uma economia sustentável não será obra de poucos heróis visíveis, mas o resultado acumulado de milhares de decisões internas. Nesse contexto, a sub-representação feminina em postos de comando, como adverte a ONU, não é apenas uma injustiça social — é uma ineficiência estratégica que o mundo não pode mais se permitir.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España