A odisseia do USS Stewart, um dos navios mais enigmáticos da Segunda Guerra Mundial, chegou a um desfecho tecnológico. Oitenta anos após seu desaparecimento, os destroços do contratorpedeiro foram localizados a 1.067 metros de profundidade na costa da Califórnia. A descoberta, realizada em agosto de 2024 e recém-divulgada, foi feita por três drones submarinos da empresa de robótica marinha Ocean Infinity.
O achado encerra um mistério, mas, sobretudo, sinaliza uma nova era para a arqueologia submarina. A capacidade de mapear vastas áreas do leito oceânico com velocidade e precisão robótica transforma uma disciplina historicamente lenta e de alto custo, abrindo caminho para que mais capítulos perdidos da história naval venham à tona.
A saga do navio que trocou de bandeira
A história do USS Stewart (DD-224) parece um roteiro de ficção. Danificado em combate em 1942, o navio foi parcialmente afundado por sua própria tripulação para evitar a captura pelos japoneses. Em uma reviravolta, a Marinha Imperial Japonesa resgatou, reparou e comissionou a embarcação, que passou a servir como navio de escolta. Pilotos aliados, atônitos, relatavam avistar um destróier americano operando sob bandeira inimiga, o que lhe rendeu o apelido de "Barco Fantasma do Pacífico".
Recuperado pelos EUA após a rendição do Japão, o navio foi intencionalmente afundado em um exercício de tiro em 1946. Sua localização exata, no entanto, permaneceu desconhecida até agora. A expedição que o encontrou combinou a tecnologia da Ocean Infinity com dados históricos da Air/Sea Heritage Foundation e a expertise da firma de arqueologia SEARCH, Inc., em colaboração com a Marinha americana.
Arqueologia em velocidade de startup
O diferencial da operação foi a eficiência. Segundo a reportagem da Forbes España, os drones autônomos mapearam mais de 3.300 quilômetros quadrados do fundo do mar em questão de horas — uma tarefa que, por métodos convencionais, levaria semanas. As imagens 3D confirmam que o casco de 95 metros está notavelmente preservado e em posição vertical.
Para além do valor histórico, a tecnologia de mapeamento autônomo da Ocean Infinity tem aplicações comerciais diretas e estratégicas. A mesma capacidade usada para encontrar um navio de guerra perdido é fundamental para identificar locais para parques eólicos offshore e para traçar rotas seguras para cabos submarinos de fibra óptica, a espinha dorsal da internet global.
Ao longo de oito décadas, o esqueleto de aço do Stewart transformou-se em um recife artificial, colonizado por ecossistemas de águas profundas. A descoberta, portanto, não apenas resgata um artefato histórico, mas também revela um microcosmo biológico, demonstrando como o passado e o futuro da exploração oceânica estão cada vez mais interligados pela tecnologia.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





