A cidade pulsa com uma energia que Marissa Goldstein, uma americana de 40 anos, abraça com fervor. Há uma década, ela e o marido desembarcaram em Ho Chi Minh City com seus primeiros gêmeos de um ano e a promessa de um retorno em três meses. Dez anos depois, a promessa se transformou em um lar permanente para uma família de seis, composta por dois pares de gêmeos, em um cenário asiático que ela descreve como o antídoto perfeito para a previsibilidade que a assusta.
O amor de Goldstein pela Ásia floresceu em uma viagem à Tailândia durante a faculdade, um vislumbre que a marcou profundamente. Após se formar, trabalhar em relações públicas e vendas, e obter um MBA, ela e o marido fundaram a The Timroon Group, uma empresa focada em diversificar cadeias de suprimentos para empresas americanas, com especial atenção ao Vietnã. Foi essa oportunidade de negócios que os levou de volta ao país em 2016, desta vez com a intenção de se estabelecer.
O charme do caos familiar
A vida em Ho Chi Minh City, para Goldstein, é um exercício contínuo de adaptação e celebração do inesperado. A cultura local, com sua receptividade às crianças, foi um fator decisivo. "Nós levávamos os gêmeos para jantares e grandes brunches, e a equipe os levava para brincar. Eu me sentia muito segura", relata. Essa atmosfera acolhedora, combinada com o baixo custo de vida em comparação com os Estados Unidos, permitiu que a família prosperasse. A decisão de expandir a família com mais gêmeos, tomada durante uma viagem de trem a Sapa, adicionou uma nova camada de complexidade e alegria à sua rotina.
Um lar entre continentes
Apesar de ter construído uma vida sólida no Vietnã, a família mantém fortes laços com os Estados Unidos, passando os verões em Boston com a família. No entanto, o retorno à metrópole vietnamita é sempre marcado por um choque de realidade. "Eu fico chocada com os preços quando volto para casa no verão", confessa Goldstein. Os custos com educação internacional, que chegam a US$ 30.000 por criança anualmente, são o maior peso financeiro, equiparando-se, em alguns casos, ao custo de vida nos EUA, mas sem os benefícios de uma vida mais nômade e imersiva na cultura local.
A arte de viver sem roteiro
O estilo de vida de Goldstein é definido por sua aversão à rotina e pelo amor ao imprevisível. A cidade, com seu trânsito caótico, clima imprevisível e a constante necessidade de improviso, reflete essa filosofia. "Eu nunca quis dizer: 'Esta é a casa em que moraremos pelos próximos 50 anos'. A previsibilidade me assusta. Eu prospero no caos, e com dois pares de gêmeos, sempre há bastante dele", afirma. Essa mentalidade a impulsiona a explorar o mundo com seus filhos, transformando cada viagem em uma aventura e cada dia em uma oportunidade de aprendizado.
A vida no Vietnã, com seus desafios e encantos, permitiu que a família de Marissa Goldstein encontrasse um ritmo próprio, longe das convenções. A cidade vibrante, a cultura acolhedora e a constante dança entre o familiar e o exótico criam um pano de fundo perfeito para uma vida que, para muitos, seria caótica, mas que para eles é sinônimo de lar. A questão que permanece é: como essa busca constante pelo novo moldará o futuro de seus filhos, criados em um ambiente tão rico e multifacetado?
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider



