A decisão sobre como ter um carro na garagem já não se resume a uma escolha entre compra à vista ou financiamento. Um terceiro modelo, o de assinatura, ganha tração no Brasil, impulsionado por gigantes do setor de locação que enxergam uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. A tese é que o acesso à mobilidade está se tornando mais valioso que a posse do veículo.
Para a Localiza&Co, uma das principais vozes na defesa desse modelo, a transição é análoga à que ocorreu em setores como música e software, onde o acesso suplantou a propriedade. Em uma análise publicada pelo InfoMoney, Breno Campolina, diretor-executivo da companhia, argumenta que o consumidor está começando a avaliar o automóvel pelo benefício de uso, e não mais como um patrimônio a ser acumulado.
A matemática além da parcela
A principal barreira para a adoção do modelo de assinatura é a comparação direta entre a mensalidade do serviço e a parcela de um financiamento. A leitura da Localiza, no entanto, é que essa análise é incompleta. O cálculo correto, segundo a empresa, deveria incluir todos os custos associados à posse de um veículo: despesas com documentação, IPVA, seguro, manutenções preventivas e, crucialmente, a depreciação do ativo.
Nessa lógica, a assinatura transforma um investimento de alto valor e risco de desvalorização em uma despesa mensal fixa e previsível. O modelo busca empacotar em um único serviço toda a jornada de gestão do carro, eliminando as preocupações do proprietário com a burocracia e a eventual revenda. É a aplicação da lógica de "software como serviço" (SaaS) a um ativo físico de alto valor.
Plataforma de acesso e o futuro elétrico
O avanço da eletrificação adiciona outra camada estratégica ao modelo de assinatura. O alto custo inicial e a incerteza sobre o valor de revenda de um veículo elétrico são barreiras significativas para o consumidor. A assinatura funciona, nesse contexto, como uma porta de entrada de baixo risco, permitindo que usuários experimentem a nova tecnologia sem o compromisso financeiro da aquisição.
Para a Localiza, isso representa uma oportunidade de se posicionar não apenas como uma locadora, mas como uma plataforma de mobilidade. A empresa oferece às montadoras — tanto as tradicionais quanto as novas entrantes, como as chinesas — um canal massivo para apresentar lançamentos e testar a aceitação de novas tecnologias, conectando-as a uma base de milhões de clientes.
A questão para o consumidor deixa de ser apenas qual carro comprar, mas qual modelo de mobilidade se encaixa melhor em sua estratégia financeira e de vida. A aposta das empresas do setor é que, para um número crescente de pessoas, a resposta não estará mais na propriedade.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





