Uma nova e peculiar tendência, batizada de "Pheromone-maxxing", ganha adeptos em nichos da internet masculina. A prática consiste em uma tática de sedução inusitada: homens estão deliberadamente deixando de tomar banho e usar desodorante antes de encontros, na esperança de que seu odor corporal natural funcione como um atrativo.
A aposta, segundo reportagem da Fast Company, é que os feromônios — sinais químicos que teoricamente influenciam a atração — seriam potencializados. A leitura aqui, contudo, é que a tendência revela mais sobre a busca por atalhos e "hacks" em dinâmicas sociais do que sobre qualquer base biológica sólida.
A pseudociência da atração
A lógica por trás do "Pheromone-maxxing" se apoia em uma interpretação seletiva da ciência. Proponentes citam estudos como o famoso "teste da camiseta suada", no qual mulheres teriam demonstrado preferência pelo odor de homens com perfis genéticos complementares. O mercado de perfumes com feromônios, popular entre homens e mulheres, também alimenta essa crença.
No entanto, a ciência sobre o tema está longe de ser conclusiva. Como aponta a Scientific American, embora odores corporais possam provocar reações em humanos, "não há evidência de uma resposta comportamental consistente e forte a qualquer sinal químico produzido por humanos". A transposição de estudos com animais para a complexa atração humana é, no mínimo, um salto de fé.
Da manosphere para o encontro
Nascida em fóruns da "manosphere" — um conjunto de comunidades online focadas em masculinidade —, a prática é uma ramificação da cultura "looks-maxxing", que busca otimizar a aparência a qualquer custo. Alguns levam a ideia ao extremo, evitando também desodorantes ou adotando outras práticas para intensificar o odor.
A recepção, no entanto, tem sido amplamente negativa. Relatos em redes sociais, como o TikTok, mostram que a reação do público-alvo, majoritariamente mulheres, é de repulsa. A desconexão entre a teoria propagada nos fóruns e a realidade da interação social é gritante, transformando uma suposta tática de sedução em um passaporte para o fracasso.
No fim, o "Pheromone-maxxing" parece menos uma estratégia biológica e mais um sintoma cultural. Ele ilustra uma faceta da internet onde a desinformação e a busca por fórmulas mágicas para o sucesso social se sobrepõem ao bom senso e à higiene mais básica.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





