A conta para montar ou atualizar um computador de alto desempenho ficou exponencialmente mais cara. Nos últimos 12 meses, o preço da memória RAM do tipo DDR5, o padrão mais recente da indústria, disparou, com alguns kits registrando uma valorização de até 10 vezes em relação às suas mínimas históricas. A alta é o sintoma mais agudo de uma crise de hardware que se instalou no mercado desde o final de 2025.

Segundo uma análise do site Tom's Hardware, um kit topo de linha de 128 GB de memória DDR5 alcançou o patamar de US$ 3.399 nos Estados Unidos. Módulos mais comuns, de 64 GB, que custavam menos de US$ 200 há um ano, hoje superam a marca de US$ 1.100 — um aumento de mais de 480%. O movimento sinaliza um profundo desequilíbrio entre oferta e demanda que vai muito além de um único componente.

Fuga para o passado, sem saída

A reação natural do mercado, tanto de consumidores quanto de fabricantes de equipamentos (OEMs), foi buscar refúgio na tecnologia anterior, a DDR4. A lógica era simples: contornar os preços proibitivos do novo padrão utilizando componentes mais antigos e, teoricamente, mais baratos. Essa migração em massa, no entanto, gerou um efeito cascata indesejado.

A súbita pressão sobre os estoques de DDR4, cuja produção já vinha sendo desescalada pelos fabricantes, provocou uma nova onda de inflação. Os preços desses módulos saltaram entre 120% e 177% no mesmo período, conforme a reportagem. No Brasil, o efeito é palpável: um pente de memória de 8 GB que custava cerca de R$ 162 há um ano hoje é encontrado por quase R$ 500. A tentativa de fuga resultou em uma armadilha, tornando qualquer opção de upgrade ou montagem consideravelmente mais onerosa.

A crise não afeta apenas gamers ou entusiastas. A inflação de componentes essenciais como memória e SSDs, que também registraram altas expressivas, tem o potencial de retardar ciclos de renovação corporativa, encarecer a infraestrutura de data centers e, em última análise, impactar os custos de serviços de nuvem. A questão que paira sobre a indústria é quanto tempo este ciclo de escassez e preços altos irá durar, e quais serão as cicatrizes permanentes na cadeia global de suprimentos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Canaltech