Paul Griggs, o principal sócio e CEO da PwC nos Estados Unidos, afirmou que a gigante de auditoria e consultoria contratou menos consultores e contadores este ano do que há dois anos — e espera que a tendência continue. Ainda assim, em entrevista ao Business Insider, ele disse que encorajaria seus próprios filhos a ingressar na profissão.
O aparente paradoxo reflete uma transformação profunda no mercado de serviços profissionais. A mensagem de Griggs não é de otimismo cego, mas um mapa para a reinvenção da carreira na era da inteligência artificial. A aposta é que a IA não eliminará a necessidade de consultores, mas elevará o padrão, exigindo perfis que combinem conhecimento técnico com capacidade analítica e aprendizado constante.
A reinvenção do colarinho branco
A lógica de Griggs é fundamentada em dados. Enquanto as vagas para funções tradicionais diminuem, a PwC acelera a contratação de cientistas de dados, engenheiros e especialistas em machine learning. Um relatório da própria firma, o “AI Jobs Barometer 2026”, analisou mais de um bilhão de anúncios de emprego e concluiu que as funções onde a IA exige maior especialização humana estão crescendo duas vezes mais rápido.
Nesses cargos, os salários também avançam 42% mais velozmente desde 2021. A leitura é que o valor não está mais na execução de tarefas repetitivas, que podem ser automatizadas, mas na interpretação de dados, aplicação de julgamento crítico e desenho de soluções complexas. Griggs aponta que a PwC tem hoje o maior pipeline de novos negócios de sua história, sugerindo que a demanda por este novo tipo de profissional já é uma realidade.
Educação como diferencial
Para formar esse profissional, a educação contínua é a peça-chave. Griggs se declarou um “grande defensor” de mestrados e MBAs, não apenas pelo conteúdo, mas porque esses programas ensinam o aluno a “pesquisar e descobrir”, cultivando a curiosidade. Ele também vê valor em graduados de áreas de humanas (liberal arts), cujo “conhecimento amplo” é amplificado pela IA.
O movimento da PwC reforça essa visão. A firma desenvolveu um programa de liderança em IA com a Harvard Business School e outro de treinamento técnico com Ethan Mollick, professor da Wharton. A mensagem para o mercado é clara: a formação tradicional já não basta. A capacidade de aprender, desaprender e reaprender, combinada com uma base de conhecimento sólida, torna-se o principal ativo de carreira.
O conselho de Griggs aos filhos, portanto, não é um endosso a uma carreira em declínio, mas um guia para sua evolução. A questão que fica para o setor não é se haverá consultores no futuro, mas quais deles conseguirão se adaptar à tecnologia que promete transformar seu trabalho pela raiz.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





