Allison Skidmore não é uma acadêmica convencional. Criminologista especializada no tráfico transnacional de vida selvagem e exploradora da National Geographic, ela passou anos infiltrada em redes de caça ilegal na Rússia, Malásia e no Chifre da África para expor suas operações.
Em uma entrevista ao Business Insider, Skidmore detalha a mecânica do crime, que se revela menos um ato isolado de caçadores e mais uma sofisticada operação de crime organizado, com tentáculos em corrupção governamental e lavagem de dinheiro.
Da savana à academia
A jornada de Skidmore começou de forma prática, como guarda florestal anti-caça no Parque Nacional Kruger, na África do Sul. A experiência em campo a levou a um doutorado em estudos ambientais, onde a pesquisa acadêmica assumiu um risco incomum: em 2016, ela se infiltrou em comunidades remotas no extremo leste da Rússia para investigar a caça de tigres-de-amur.
Ao se passar por uma integrante desses grupos, ela mapeou as redes locais, rastreando a cadeia que conecta a floresta aos mercados consumidores. O trabalho, concluído em 2020, resultou em uma série de artigos acadêmicos que dissecam a estrutura e a economia desses anéis criminosos.
A engrenagem do tráfico
A pesquisa de Skidmore expõe que a caça é apenas o primeiro elo. O sucesso da operação depende de uma engrenagem complexa que inclui a exploração de centros de trânsito vulneráveis — portos e aeroportos com fiscalização frouxa — e uma teia de corrupção para garantir a passagem segura da mercadoria ilegal.
Além disso, o dinheiro gerado pela venda de peles, ossos e outros produtos é reinserido na economia legal por meio de esquemas de lavagem de dinheiro, tornando o rastreamento financeiro uma peça-chave para desmantelar essas organizações.
Hoje, como fundadora da organização Leave Them Wild e professora visitante na Universidade de Innsbruck, na Áustria, Skidmore traduz a inteligência de campo em conhecimento acadêmico. Sua trajetória demonstra que o combate ao tráfico de vida selvagem exige uma abordagem que transcende a fiscalização ambiental, tratando-o como o crime organizado transnacional que de fato é.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





