A conversa sobre o impacto da Inteligência Artificial no ambiente de trabalho está amadurecendo. O pânico inicial sobre a substituição em massa de empregos dá lugar a uma discussão mais sóbria sobre a transformação das funções e a integração da tecnologia nos fluxos corporativos. A tese é que o principal impacto será a qualificação, não a eliminação.

Essa perspectiva é reforçada por um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do instituto polonês NASK, que aponta para uma complementariedade entre homem e máquina, com a automação de tarefas, e não de funções inteiras. Em artigo para o portal TIInside, Demetrio Teodorov, head de inovação da Rodobens, argumenta que o desafio deixou de ser tecnológico para se tornar humano: revisar processos e desenvolver novas competências.

A nova equação do talento

Com a IA assumindo atividades operacionais e repetitivas, o diferencial competitivo dos profissionais migra para o que não pode ser facilmente automatizado: pensamento crítico, criatividade, relacionamento e capacidade de julgamento. O conhecimento técnico continua vital, mas seu valor é multiplicado pela habilidade de interpretar contextos e tomar decisões complexas. Na prática, empresas como a própria Rodobens já usam a tecnologia para ampliar a capacidade de suas equipes — um modelo preditivo no aplicativo da empresa, por exemplo, contribuiu para um crescimento de 73% na adesão a lances em consórcios, segundo o executivo.

Este cenário, no entanto, expõe um dos principais desafios para a próxima década: a formação de novos talentos. O modelo tradicional de aprendizado corporativo, baseado na execução gradual de tarefas simples, perde eficácia à medida que essas mesmas tarefas são automatizadas. A responsabilidade, portanto, recai sobre a liderança, que precisa criar novas formas de mentoria e desenvolvimento, preparando os times para trabalhar em colaboração com sistemas inteligentes, e não apenas operá-los.

O futuro do trabalho, portanto, não será definido apenas pelas ferramentas, mas pelas escolhas estratégicas e culturais que as organizações farão. A IA abre uma oportunidade para eliminar o trabalho repetitivo e ampliar as capacidades humanas. A leitura é que a verdadeira revolução não está na substituição do homem pela máquina, mas na ampliação das competências humanas por meio da tecnologia. As empresas que internalizarem essa visão primeiro estarão mais preparadas para o futuro que já começou.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside