A gestora de venture capital Andreessen Horowitz (a16z) está sob investigação do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ). A apuração, que já dura quase um ano, busca determinar se a presença de sócios da firma em conselhos de administração de empresas de inteligência artificial concorrentes viola leis antitruste. A informação foi divulgada pela revista Fortune, citando fontes familiarizadas com o assunto.

O foco da investigação está em "conselhos interligados" (interlocking directorates), uma prática que a atual gestão do governo americano tem combatido com rigor. O caso da a16z joga luz sobre a imensa influência que as grandes casas de venture capital exercem sobre o ecossistema de tecnologia e testa os limites de seu poder.

O Poder nos Conselhos

O cerne da investigação está na participação de sócios da a16z nos conselhos da Databricks, uma das mais valiosas startups de tecnologia do mundo, e da Fivetran. Ambas atuam no mercado de coleta e análise de grandes volumes de dados. Segundo a reportagem, o cofundador Ben Horowitz integra o conselho da Databricks, enquanto o sócio Martin Casado está no da Fivetran. Ambas as empresas são investidas pela a16z.

A prática é coibida por uma lei de 1914 raramente invocada até recentemente. A gestão do presidente Joe Biden, contudo, reativou a fiscalização, forçando executivos a renunciarem a posições em conselhos de empresas concorrentes. A investigação sobre a a16z, no entanto, é mais complexa, pois envolve a influência da própria gestora — e não apenas de indivíduos isolados — em companhias rivais do seu portfólio.

Jogo de Influência em Washington

A investigação ganha contornos mais complexos dado o crescente ativismo político da Andreessen Horowitz. A firma e seus fundadores, Marc Andreessen e Ben Horowitz, se alinharam a uma potencial segunda administração de Donald Trump, com doações milionárias e um lobby ativo em Washington por uma regulação mais branda para a inteligência artificial.

Essa proximidade com o poder político torna o escrutínio do DOJ particularmente notável. Embora a investigação possa terminar sem qualquer ação, ela sinaliza que mesmo os nomes mais poderosos do Vale do Silício não estão imunes à lupa regulatória. A a16z, que administra dezenas de bilhões de dólares, se vê em uma posição delicada, defendendo seus interesses em arenas que vão dos conselhos de startups à Casa Branca.

O desfecho do caso é incerto e pode não resultar em nenhuma penalidade. Contudo, a simples existência da investigação já serve como um aviso para o setor de venture capital: a era de influência irrestrita e sobreposição de interesses nos portfólios pode estar chegando a um ponto de inflexão regulatória.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune