Para o investidor estrangeiro, agosto foi um mês para esquecer na bolsa brasileira. O Ibovespa, principal índice da B3, amargou uma queda de 8,54% quando medido em dólares, o segundo pior desempenho numa amostra de 21 mercados globais. Apenas a bolsa da Argentina, com seu Merval em queda de 10,47%, teve um resultado inferior.

Os dados, compilados pela consultoria Elos Ayta, expõem uma vulnerabilidade clássica de mercados emergentes: o duplo risco de ativo e câmbio. Em moeda local, o Ibovespa recuou 6,30%. Contudo, a valorização de 2,44% do dólar frente ao real no mesmo período transformou uma perda significativa em um prejuízo ainda mais profundo para quem opera com a moeda americana. A leitura é que, além da desvalorização das ações, o capital externo foi penalizado pela taxa de câmbio, um fator que acelera decisões de saída.

O peso do câmbio

A performance negativa do Brasil não foi um caso isolado na América Latina, mas reflete uma aversão a risco concentrada nas maiores economias da região. O índice IPC, do México, também figurou entre os piores desempenhos, com baixa de 2,29%. O movimento sugere que, em um cenário de incertezas, o capital tende a buscar refúgios mais seguros, abandonando posições em mercados onde a volatilidade cambial pode corroer rapidamente os retornos.

Na outra ponta do espectro, os ganhadores do mês foram mercados desenvolvidos. O europeu Euro Stoxx 50 liderou com uma alta de 7,02%, seguido pelo japonês Nikkei 225 (+6,77%) e pelo americano Nasdaq (+5,01%). Essa divergência evidencia um fluxo de capital que premia a estabilidade e o crescimento percebido na Europa, Ásia e no setor de tecnologia dos EUA, em detrimento de emergentes como o Brasil.

A exceção à regra latina

Curiosamente, o mau humor não contaminou toda a América Latina. As bolsas da Colômbia e do Peru registraram altas de 2,68% e 2,65%, respectivamente, destoando do movimento de seus vizinhos maiores. Essa resiliência indica que os investidores fizeram uma distinção clara, penalizando especificamente os mercados brasileiro, argentino e mexicano, possivelmente por uma combinação de fatores macroeconômicos e políticos locais.

O resultado de agosto serve como um alerta sobre a dependência do mercado brasileiro do humor e do capital estrangeiro. A combinação de queda de ativos com desvalorização cambial cria um ciclo vicioso difícil de quebrar.

A questão que fica para os próximos meses é se o movimento foi uma turbulência pontual ou o sinal de uma reavaliação mais estrutural do risco-Brasil por parte dos gestores globais. A resposta definirá a trajetória da B3 no restante do ano.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times