O mercado de escritórios de alto padrão na América Latina está aquecido, com destaque para centros nevrálgicos como São Paulo, Bogotá, Cidade do México e Santiago. Apesar de um cenário de maior seletividade por parte dos investidores, a ocupação de edifícios premium segue em alta, impulsionada por uma busca incessante por qualidade.

O que se observa, segundo levantamento da consultoria Cushman & Wakefield reportado pela Bloomberg Línea, não é uma recuperação generalizada, mas um movimento específico e estrutural: o chamado “flight-to-quality”. Empresas estão trocando espaços obsoletos por edifícios com alta especificação técnica, infraestrutura moderna e localização estratégica. A tese é que, no mundo pós-pandemia, o escritório precisa justificar sua existência — e só o melhor consegue.

Qualidade como nova moeda

A migração para a qualidade representa uma mudança fundamental na forma como as empresas enxergam o espaço físico. O escritório deixou de ser um custo fixo e se tornou uma ferramenta estratégica para atrair e reter talentos, além de materializar a cultura da companhia. Se o trabalho pode ser feito de casa, o escritório precisa oferecer uma experiência superior: melhor tecnologia, mais oportunidades de colaboração e amenidades que promovam o bem-estar.

Essa dinâmica explica a aparente contradição de um mercado imobiliário aquecido em meio à consolidação do trabalho híbrido. O capital, agora mais criterioso, não financia qualquer projeto. Ele se concentra em ativos de primeira linha, criando uma bifurcação no mercado. Edifícios mais antigos ou mal localizados enfrentam uma vacância crescente, enquanto o topo da pirâmide prospera. “Não vemos mercados na região com algum tipo de freio no crescimento”, afirmou Matheus Cardoso, presidente da Cushman & Wakefield para a América do Sul, à Bloomberg Línea.

O mapa do novo metro quadrado

A tendência não é homogênea, mas concentrada nos principais polos econômicos da região. Em São Paulo, o fenômeno é visível em eixos como a Faria Lima e a Berrini, que continuam atraindo empresas de finanças e tecnologia dispostas a pagar prêmios por um endereço de prestígio. O mesmo padrão se repete em zonas nobres de outras capitais latino-americanas.

Para o futuro, a questão não é mais se os escritórios sobreviverão, mas quais escritórios irão prosperar. O movimento de “flight-to-quality” sugere que o valor não está mais no metro quadrado em si, mas na experiência, na localização e na tecnologia embarcada. Para proprietários de ativos mais antigos, o desafio será investir em modernização para não se tornarem obsoletos. Para as cidades, a tendência pode redesenhar distritos de negócios, consolidando o prestígio de algumas áreas em detrimento de outras.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Bloomberg Línea