Em 2020, a China apresentou ao mundo um projeto que era a própria imagem de sua ambição: um estádio de futebol para 100 mil pessoas, com custo de US$ 1,8 bilhão e o design de uma flor de lótus. Financiado pelo gigante imobiliário Evergrande, seria o maior do mundo. Hoje, o canteiro de obras é um retrato do oposto: um projeto inacabado, assumido pelo governo e drasticamente reduzido.

A história do estádio do Guangzhou é mais do que uma obra que não deu certo. É a crônica de uma bolha de alavancagem que estourou, arrastando consigo não apenas uma das maiores empresas do país, mas também o sonho de transformar a China em uma potência do futebol global, conforme detalha reportagem do Money Times.

Do sonho à realidade

O projeto era a joia da coroa do império Evergrande, uma empresa que, como o futebol chinês da década passada, cresceu de forma agressiva e à base de endividamento massivo. O clube Guangzhou FC, turbinado pelo dinheiro da incorporadora, empilhou títulos e contratou estrelas conhecidas do público brasileiro, como Paulinho, Robinho e o técnico Luiz Felipe Scolari. O estádio seria a materialização dessa hegemonia.

Mas o modelo ruiu. Quando Pequim decidiu frear o endividamento do setor imobiliário, a Evergrande entrou em colapso com uma dívida superior a US$ 300 bilhões. O clube foi rebaixado e perdeu a licença profissional. O estádio, por sua vez, foi tomado pelo governo local, que agora toca um projeto mais modesto: o Guangzhou Football Park, com capacidade e orçamento reduzidos, e sem a ambição de ser o maior do mundo.

A estrutura de concreto inacabada, que um dia seria uma flor de lótus, serve hoje como um monumento à era da exuberância irracional. O maior legado do estádio que nunca foi é ter se tornado o símbolo mais visível do fim de um ciclo de crescimento e da abrupta desilusão do futebol chinês.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times