O mercado brasileiro se prepara para uma semana de dupla pressão. De um lado, a expectativa de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve, o banco central americano, ameaça drenar liquidez dos mercados emergentes. Do outro, uma crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) adiciona uma camada de incerteza política à equação do risco-país.

A convergência desses dois fatores — um macroeconômico e externo, outro político e doméstico — testa o humor dos investidores e coloca em xeque a atratividade dos ativos brasileiros. A análise, feita por Leandro Nogueira, sócio da Cordier, e reportada pelo Money Times, sugere que a percepção de risco, especialmente a do capital estrangeiro, será o termômetro decisivo para os mercados nas próximas semanas.

A caneta do Fed e o humor do mercado

No cenário internacional, o mercado já parece ter precificado uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. A grande questão, segundo a análise, não é o movimento imediato, mas o que ele sinaliza para o futuro. As projeções apontam para a possibilidade de mais duas ou três altas subsequentes, inaugurando um ciclo de aperto monetário mais duro do que o esperado.

A comunicação do Fed após a decisão será, portanto, tão importante quanto a decisão em si. Um tom mais agressivo pode acelerar a busca por segurança nos títulos do tesouro americano, desvalorizando moedas e ativos de risco em economias como a brasileira. Para o Brasil, o efeito é direto: dólar mais caro, pressão inflacionária e um ambiente mais desafiador para a captação de recursos pelas empresas.

O fator Brasília no preço do risco

Enquanto Washington calibra a política monetária, Brasília lida com suas próprias tensões. O desdobramento de um caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do STF, tornou-se um ponto de atenção para o mercado, não pelo impacto direto em uma ou outra companhia, mas por sua influência na percepção de estabilidade institucional do Brasil.

O ponto nevrálgico, segundo Nogueira, é como o investidor estrangeiro interpretará a condução da crise. Uma resolução que passe a impressão de impunidade ou de um arranjo de bastidores — o chamado “colocar panos quentes” — pode ser lida como um sinal de fragilidade institucional, diminuindo a disposição de alocar capital no país a longo prazo. A forma como as instituições brasileiras navegarem esta crise pode ter um preço medido em bilhões de dólares de investimento.

Neste cabo de guerra, o mercado brasileiro opera em compasso de espera. A questão que permanece é qual dos dois vetores — a previsível, mas potente, força da política monetária global ou o imprevisível drama político doméstico — pesará mais na balança. As próximas semanas darão a medida de quanto risco o investidor está disposto a tomar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times