O fundo imobiliário Tivio Renda (TVRI11) concluiu a renovação antecipada de seis contratos de locação com o Banco do Brasil, estendendo a parceria por mais 10 anos, de 2026 a 2036. Os acordos, que mantêm os valores atuais de aluguel, representam cerca de 7,9% da receita do fundo e dão um novo fôlego de previsibilidade à operação, segundo fato relevante divulgado ao mercado.

O movimento é mais do que uma simples renovação contratual. Ele funciona como uma âncora estratégica para o TVRI11, que está em plena transição de um modelo de gestão passiva para ativa. Ao garantir um fluxo de caixa estável com um inquilino de primeira linha, a gestora Tivio Capital ganha segurança para executar um plano mais arrojado de reciclagem de portfólio, que já está em curso.

Do passivo ao ativo: uma transição calculada

Constituído em 2012, o TVRI11 nasceu com uma tese passiva, com seu portfólio de 57 imóveis majoritariamente locado para o Banco do Brasil em contratos atípicos. Era um modelo de baixo risco e receita previsível. Em agosto de 2023, porém, os cotistas aprovaram uma mudança fundamental: a conversão para um fundo de gestão ativa, dando à Tivio Capital o mandato para otimizar a carteira.

A renovação antecipada com o BB, nesse contexto, não é um passo atrás, mas uma manobra tática. Ela blinda uma parcela relevante da receita contra a volatilidade do mercado, permitindo que a gestora se concentre em destravar valor nos demais ativos. A manutenção dos valores de aluguel sugere que a prioridade foi a extensão do prazo e a manutenção do relacionamento, em vez de uma renegociação que pudesse trazer incertezas.

Reciclar para crescer

Enquanto a receita com o Banco do Brasil está garantida, a gestão ativa se manifesta na outra ponta da estratégia. Desde o início do processo de reformulação, o fundo já realizou nove vendas de imóveis, que totalizaram mais de R$ 200,5 milhões. Segundo a gestora, as transações foram fechadas, em média, com um prêmio de 42% sobre o valor de laudo dos empreendimentos.

Esse capital não é apenas lucro, mas combustível para o crescimento. A estratégia de “reciclagem do portfólio” visa levantar recursos para novas aquisições que possam oferecer retornos superiores aos dos ativos vendidos. O desafio para a Tivio Capital será agora alocar esse caixa de forma eficiente, em um mercado imobiliário competitivo, provando que a gestão ativa pode, de fato, gerar valor adicional para o cotista.

O movimento do TVRI11 é um microcosmo do amadurecimento do mercado de fundos imobiliários no Brasil. A gestão puramente passiva já não basta para uma parcela dos investidores, que agora demandam uma atuação mais dinâmica para otimizar os retornos. A capacidade de equilibrar a segurança de contratos de longo prazo com a agilidade na compra e venda de ativos será o teste decisivo para essa nova fase do fundo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times