A inteligência artificial está redefinindo não apenas como o software é construído, mas quem o constrói. A tese foi defendida por Alexandre Quintella Messina, sócio da consultoria Lovable e fundador da VibeLabs, durante uma apresentação no Proud Tech Summit 2026.
Segundo Messina, o avanço do chamado “vibe coding” — o uso de linguagem natural para instruir IAs a gerar código — está democratizando o desenvolvimento de aplicações. A criação de software deixa de ser um reduto exclusivo de engenheiros para se tornar uma ferramenta acessível a profissionais de produto, marketing e operações, alterando a dinâmica de poder e agilidade dentro das companhias.
Da tarefa individual ao cérebro da empresa
Messina propõe uma escala de maturidade para a adoção corporativa da IA. O processo começa no nível individual, com ferramentas que aceleram tarefas pontuais. Em seguida, evolui para o uso compartilhado em equipe. Nos estágios mais avançados, a tecnologia passa a incorporar o contexto do negócio — analisando e-mails, documentos e dados de CRM — para se tornar uma espécie de “segundo cérebro” organizacional.
O objetivo final é criar um ciclo de feedback contínuo: a IA não apenas responde a comandos, mas começa a sugerir decisões, aprender com os resultados e reter o conhecimento dentro do sistema, independentemente das pessoas. Para isso, é crucial conectar os modelos de IA às fontes de informação centrais da operação, permitindo que a tecnologia entenda como o trabalho de fato acontece.
O desenvolvedor vira arquiteto
A ascensão do “vibe coding” não elimina o desenvolvedor, mas o reposiciona. Enquanto as equipes de negócio ganham autonomia para criar protótipos e aplicações internas com velocidade, o especialista técnico se desloca para atividades de maior alavancagem: arquitetura de sistemas, segurança, escalabilidade e governança do código gerado pela IA.
Essa mudança acelera drasticamente o ciclo de inovação. A prototipação, que antes levava meses, pode ser concluída em dias. A cultura corporativa se move de “escrever para descrever” uma ideia para “construir para validar”. Testar hipóteses se torna mais barato, permitindo que as empresas experimentem mais antes de comprometer orçamentos significativos com uma direção.
A consequência mais tangível, segundo Messina, é o crescimento de aplicações internas customizadas. Times passam a criar suas próprias ferramentas para resolver dores específicas, gerando ganhos de produtividade que antes seriam inviáveis pelo custo do desenvolvimento tradicional. O software, assim, se torna menos um produto comprado de prateleira e mais uma capacidade interna, moldada pela própria operação.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





